Senadores dos Estados Unidos questionam Apple e Google por suposto abuso de poder nas lojas de app

Grupo ouviu várias empresas que alegam que as gigantes de tecnologia estão tendo comportamentos anticompetitivos

Por: Gabrielle Gonçalves | 22 abril - 21:53

Na última quarta-feira (21), senadores dos Estados Unidos questionaram a Apple e o Google sobre o domínio de suas lojas de aplicativos App Store e PlayStore, respectivamente. O grupo sugeriu um possível abuso de poder das empresas que prejudicaria concorrentes menores.

Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

Amy Klobuchar, principal senadora democrata em questões antitruste disse que a Apple e o Google podem usar seu poder para “excluir ou suprimir aplicativos que competem com seus próprios produtos” e “cobrar taxas excessivas que afetam a concorrência”.

Desenvolvedores de aplicativos como o Spotify e o Tinder já haviam reclamado anteriormente que as regras estabelecidas a respeito da receita de vendas e da inclusão de produtos da App Store e da Play Store representam um comportamento anticompetitivo.

Em resposta aos senadores, representantes da Apple e do Google disseram que o controle rígido das gigantes de tecnologia sobre suas lojas de aplicativos e as regras de compartilhamento de receita são necessários para proteger os seus consumidores.

No entanto, quando questionado, o diretor de conformidade da Apple, Kyle Andeer, não garantiu gastar todas as tarifas obrigatórias que o sistema exige em segurança. Ele e Wilson White, diretor sênior para assuntos governamentais do Google, também não souberam responder porque as taxas não são aplicadas à Uber e outros aplicativos que vendem produtos físicos.

Ligação suspeita a outra empresa

Um dos senadores também demonstrou preocupação a respeito de uma ligação que a Match, dona do Tinder, diz ter recebido do Google para questionar o testemunho da companhia na ação. “Parece uma ameaça, fala como uma ameaça, é uma ameaça”, afirmou o democrata Richard Blumenthal.

O Google respondeu a acusação dizendo que o telefonema refletia um esforço para fazer uma pergunta honesta e que a empresa nunca ameaçaria seus parceiros.

A Match paga quase US$ 500 milhões em taxas para as lojas de aplicativos anualmente – a maior despesa individual da empresa. A desenvolvedora afirma que o Google e a Apple cobram 30% de qualquer transação digital.

A dona do Tinder também acusou a Apple de bloquear uma importante atualização do aplicativo de namoro que alertava os usuários LGBTQ + se eles estivessem viajando para um país onde seria perigoso expor sua sexualidade. A gigante de tecnologia teria alegado que a atualização violava o “espírito” de uma nova regra. O recurso só foi liberado dois meses depois, após líderes sêniores questionarem a atitude.

Lançamento dos AirTags

O questionamento dos senadores foi feito um dia após a Apple anunciar o lançamento de seus AirTags. O dispositivo pode ser anexado a chaves e mochilas e usado para rastrear objetos perdidos. O produto compete diretamente com a a empresa Tile, que vende algo semelhante há mais de uma década.

Segundo a Apple, seus AirTags são uma consequência do aplicativo “Buscar”, que é utilizado para localizar aparelhos perdidos da marca e compartilhar a localização de usuários. A empresa alega que ele foi lançado em 2010, antes da fundação da concorrente.

No mês passado, a Apple abriu seu sistema operacional para outros serviços rastreadores e disse que a Chipolo, startup que compete tanto com a Tile quanto com os novos AirTags, está utilizando o sistema. No entanto, a conselheira geral da Tile, Kirsten Daru, acusa a gigante de domínio sobre o mercado e de redirecionar os clientes de forma “obrigatória” aos seus produtos, já que o “Buscar” é instalado por padrão nos dispositivos da Apple e não pode ser excluído.

“A Apple mais uma vez explorou seu poder de mercado e domínio para condicionar o acesso de nossos clientes aos dados a quebrar efetivamente nossa experiência de usuário e direcioná-los ao Buscar”, disse ela.

Fonte: Reuters

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