Google começa a testar novo recurso para rastreamento de anúncios, mas recebe críticas

Empresas disseram ter bloqueado o sistema alegando que ele fere a privacidade dos usuários

Por: Gabrielle Gonçalves | 23 abril - 00:57

Nesta semana, o Google começou a testar uma nova ferramenta para direcionar publicidades nos sites. Chamada de Federated Learning of Cohorts (FLoC), a tecnologia prevê a criação de grupos, chamados de Cohorts, de usuários com interesses semelhantes. No entanto, o FLoC tem recebido críticas de empresas que controlam os navegadores de internet.

Foto: Reprodução/EFF

O rastreamento foi criado para substituir os cookies de terceiros. Os rótulos seriam atribuídos pelo Chrome e colocariam os usuários em grupos para direcionar os conteúdos. Os cookies de terceiros são arquivos criados pelos sites para identificar os visitantes e armazenar informações sobre eles.

As principais críticas vieram dos browsers DuckDuckGo e do Brave, focados na segurança dos usuários. Ambos resolveram bloquear o FLoC das suas plataformas mesmo em fase de desenvolvimento. Segundo as empresas, embora o FLoC seja melhor do que os cookies de terceiros, ele poderia conter informações potencialmente confidenciais e facilitaria a identificação das pessoas individualmente.

O DuckDuckGo afirma que qualquer site poderia obter de forma fácil o rótulo FLoC de um grupo e usá-lo para direcionar anúncios ou conteúdos para os usuários. A empresa o classificou como “terrível” e orientou seus consumidores a não utilizarem o Google Chrome. O seu browser também teria ganhado um bloqueador do FLoC durante a navegação.

Já o Brave afirmou que “o pior aspecto do FLoC é que ele prejudica materialmente a privacidade do usuário, sob o pretexto de ser amigo da privacidade”. Ele também teria removido o sistema de suas versões para desktop e Android.

Outra reclamação das empresas é o modo como o Google lidou com o lançamento do novo sistema de rastreamento, que aconteceu de forma automática. Além do DuckDuckGo e do Brave, navegadores como o Vivaldi e o Microsoft Edge também desativaram o suporte ao FLoC em seu código.

A EFF, uma organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que defende causas ligadas à privacidade e à tecnologia, publicou um longo artigo criticando o FLoC. Para ela, os usuários deveriam ter a possibilidade de navegar na web sem rastreamento.

O WordPress, sistema utilizado por muitos sites para o gerenciamento de conteúdo, anunciou que pode incluir por padrão um código que desativa o novo rastreamento e remover todas as suas páginas do cálculo do sistema de navegação.

Ao lançar o FLoC, o Google alegou que o sistema permite que cada pessoa permaneça anônima nos Cohorts. A gigante de tecnologia afirmou que, inclusive, os grupos são alterados frequentemente à medida que os históricos de navegação mudam. Ela também reforçou que o rastreamento não compartilha o histórico de navegação dos usuários e que o número de identificação nos grupos não permite aos anunciantes seguir ninguém individualmente.

Com informações de TechTudo e G1.

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