Herdeiro da Samsung vai a julgamento por polêmica fusão da empresa

Esta foi a primeira aparição pública de Lee Jae-yong desde que foi condenado em janeiro deste ano por um escândalo de corrupção

Por: Gabrielle Gonçalves | 22 abril - 22:50

O herdeiro e diretor da Samsung, Lee Jae-yong, preso por um escândalo de corrupção, se apresentou nesta quinta-feira (22) em um tribunal em Seul, na Coréia do Sul. Lee está sendo processado pela polêmica fusão da empresa, que lhe permitiu assumir o controle do conglomerado.

Lee Jae-yong. Foto: Yonhap

Lee Jae-yong é filho do bilionário Lee Kun-hee, ex-presidente da Samsung, que faleceu em outubro do ano passado. Depois de um longo processo judicial que teve início em 2017, ele foi sentenciado em janeiro deste ano a dois anos e meio de prisão por uma polêmica envolvendo sua sucessão dentro da empresa.

O herdeiro foi acusado de oferecer propina à então presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye. O objetivo era receber o apoio do governo para assumir o cargo do seu pai, que havia renunciado por questões de saúde. Isso levou Geun-hye à remoção do cargo por um processo de impeachment.

A ação envolve uma série de transações de capital e etapas que os promotores disseram terem sido planejadas para tornar mais fácil para Lee Jae-yong obter o controle da empresa. Uma delas é a fusão entre a Samsung e a Cheil Industries, uma produtora de têxteis e materiais químicos eletrônicos, em 2015. Ele era o principal acionista da empresa.

“O fato mais importante é que durante o processo de incorporação, ocorreram diversas práticas ilegais que violaram a lei do mercado de capitais, como divulgar informações falsas sobre o efeito da fusão, ocultar fatos relacionados aos acionistas e investidores da Samsung e incorrer em prejuízos para eles ”, disse um dos promotores.

A Samsung alega que a fusão foi legítima e avaliada positivamente por investidores estrangeiros e empresas de consultoria. Os advogados da empresa também afirmaram que os promotores ignoraram outros propósitos da fusão além da sucessão de liderança de Lee.

Lee Jae-yong negou nesta quinta-feira todas as acusações levantadas contra ele. Esta foi a sua primeira aparição pública em 94 dias, desde que foi colocado atrás das grades em 18 de janeiro. O julgamento foi realizado em meio a pedidos crescentes de clemência ao magnata. Alguns grandes empresários pedem um perdão especial, dizendo que o retorno de Lee ao comando da Samsung é do melhor interesse do país.

A Samsung é a líder da Coreia do Sul no mercado global de semicondutores, que enfrenta uma crise. Devido à ausência de Lee, a empresa foi impedida de fazer investimentos oportunos para expandir as instalações de fabricação dos chips na Coréia do Sul e nos Estados Unidos, dizem os favoráveis ​​à sua indulgência.

Fonte: APF e The Korea Herald

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