Startup americana quer fazer um “Google Earth” do oceano

Submarino criado pela Terradepth consegue acessar 98% do oceano. O sistema também é capaz de marcar a geolocalização precisa das amostras coletadas

Por: Gabrielle Gonçalves | 25 março - 23:28

Dois ex-oficiais da Marinha dos Estados Unidos criaram um startup para poder mapear e coletar dados do oceano. A ideia da Terradepth é construir uma espécie de “Google Earth” do fundo do mar.

Foto: Divulgação/Terradepth

Em 2005, enquanto trabalhavam para a marinha americana, Joe Wolfel e Judson Kauffman receberam a notícia do afundamento de um submarino nuclear ao colidir com uma montanha subaquática – que não era conhecida pelos oficiais até então. “Foi a primeira vez que nós dois entendemos o nível de ignorância que existe acerca deste mundo subaquático. Então isso meio que plantou uma sementinha”, disse Kauffman, em entrevista à revista Fast Company.

Doze anos depois, os dois abriram uma empresa de consultoria e voltaram a atenção para a crescente oferta de robótica para exploração espacial. “Um dia nos olhamos e dissemos: ‘Por que ninguém está pegando essa tecnologia – autonomia, IA (Inteligência Artificial) e aprendizado de máquina – e encontrando uma maneira de mapear o oceano?”, questionou Kauffman.

Em 2018, eles decidiram fundar a Terradepth, em Austin, nos Estados Unidos – uma empresa de serviços de dados. Em três anos, a startup desenvolveu um tipo de submarino para mapear autonomamente o oceano e seus ambientes variados.

Foto: Divulgação/Terradepth

O veículo tem nove metros de comprimento e usa uma câmera e um conjunto de sensores para coletar dados do fundo do mar e, então, recorre à inteligência artificial para processá-los. Ele pode mergulhar a quase 6 mil metros de profundidade, o que lhe permite acessar 98% do oceano. O sistema também é capaz de marcar a geolocalização precisa das amostras coletadas.

A equipe executou com sucesso os testes do submarino em um lago do Texas no início deste mês e agora deve realizar testes mais robustos no Golfo do México e ao longo da costa da Flórida. Por enquanto, o protótipo do submarino usa o diesel, mesmo combustível de navios, mas, futuramente, ele deverá utilizar um gerador de célula de combustível de hidrogênio – mais ecologicamente correto.

Wolfel e Kauffman também planejam adicionar sensores para coletar informações químicas, biológicas e ambientais para assimilar os dados de mapeamento do oceano, que podem revelar padrões não descobertos ao longo do tempo. O objetivo deles é ter uma frota de 5 mil a 10 mil robôs, para mapas cada vez mais detalhados que mostram como funciona o ecossistema marinho e as suas relações com o mundo terrestre.

A startup dos dois ex-oficiais já tinha recebido um empreendimento inicial de US$ 8 milhões da fabricante de armazenamento de dados Seagate Technology para a construção do submarino. Agora, ela deve abrir uma segunda rodada de financiamento no mês que vem.

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