Inteligência Artificial desvenda manuscritos do Mar Morto

Tecnologia foi capaz de descobrir um mistério que há 70 anos estudiosos tentavam entender

Por: Gabrielle Gonçalves | 26 abril - 20:56

Pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda, dizem ter conseguido identificar, com a ajuda de Inteligência Artificial, que os misteriosos manuscritos do Mar Morto foram escritos por duas pessoas – e não só por uma, como se acreditava anteriormente.

Os pesquisadores da da Universidade de Groningen usaram mapas de calor para examinar letras individuais — Foto: UNIVERSITY OF GRONINGEN/Reprodução/BBC

Os testes foram realizados no texto mais longo dos antigos manuscritos, conhecido como o Grande Pergaminho de Isaías. Os cientistas descobriram que provavelmente dois indivíduos, com identidades ainda desconhecidas, copiaram as palavras usando uma caligrafia quase idêntica.

O Grande Pergaminho de Isaías é um dos quase 950 textos diferentes descobertos nas décadas de 1940 e 1950, em uma caverna em Qumran, perto do Mar Morto, onde hoje é a Cisjordânia ocupada por Israel. Acredita-se que esses escritos, que incluem a versão mais antiga da Bíblia, datem de cerca do século 3 a.C. A maioria está em hebraico, aramaico e grego.

O Grande Pergaminho é diferente dos demais textos por ser o único com 54 colunas divididas em metades e escritas em um estilo quase uniforme. Os pesquisadores analisaram uma única letra hebraica, aleph, que aparece mais de 5 mil vezes no registro histórico.

Em um artigo publicado pelos estudiosos Mladen Popovic, Maruf Dhali e Lambert Schomaker, eles disseram que “conseguiram extrair os vestígios de tinta antigos conforme aparecem nas imagens digitais”. “Os traços de tinta antigos estão diretamente relacionados ao movimento muscular de uma pessoa e são específicos dessa pessoa”, afirmaram.

Para os cientistas, o cenário provável é de que havia dois escribas diferentes trabalhando juntos e tentando manter o mesmo estilo de escrita, mas cada um revelando sua individualidade. Pela semelhança, acredita-se que os escribas possam ter passado pelo mesmo treinamento em uma escola ou família. A capacidade de imitarem um ao outro também seria tão boa que até agora os estudiosos modernos não tinham sido capazes de distingui-los.

Fonte: BBC

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