Quatro mulheres parlamentares denunciam casos de violência política

“Tem sido difícil ser parlamentar no Brasil. Nós somos atacadas e perseguidas”, afirma vereadora

Por: Larissa Placca | 23 março - 23:20

Quatro mulheres parlamentares denunciaram na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) nesta terça-feira (23), violências políticas que enfrentam no Brasil.

“Essas pessoas não reconhecem a mulher negra como sujeito de direito”, afirma.

Ana Lúcia Martins (PT-SC) em entrevista

Ana Lúcia Martins (PT-SC) em entrevista; Foto: Agência Brasil/Divulgação

A primeira vereadora negra de Joinville (SC), Ana Lúcia Martins (PT-SC), afirma que vem sofrendo ataques racistas e ameaças de morte.

Ela diz que não está tendo apoio do governo federal para garantir a sua proteção. “O Estado está totalmente omisso quando as violências que estou sofrendo, bem como de outras parlamentares negras”.

Além de Ana Lúcia, Carolina Iara, mulher intersexo, travesti, negra, co-vereadora eleita pelo sistema de mandatas coletivas e Erika Hilton, a mulher mais bem votada no Brasil em 2020, negra e travesti denunciaram os preconceitos políticos e acusam o estado brasileiro de negligência ao tratar as acusações de violência política.

“Tem sido difícil ser parlamentar no Brasil. Nós somos atacadas e perseguidas”, afirma Hilton, que teve gabinete invadido após a posse.

Além delas, movem ações contra Violência Política e Preconceito a deputada Rosângela Gomes (REP – RJ) e prefeita de Bauru, Suellen Rossin (DEM – SP).

Os Ministérios das Relações Exteriores e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, se pronunciou dizendo estar atentos à pauta, e que recebem denúncias através do Disque 180.

Violência Política no Brasil

Segundo dados da Terra de Direitos e Justiça Global, o Brasil registra uma média de um ato de violência política a cada quatro dias.

De janeiro a setembro de 2020, data da pesquisa, foram registrados 125 assassinatos e atentados, 85 ameaças, 33 agressões, 59 ofensas, 21 invasões.

Eleições e as minorias

As eleições municipais de 2020 registraram números históricos e diversidade de mulheres eleitas. Porém, não há dispositivo que garanta que vereadoras, prefeitas e deputadas eleitas consigam exercer suas funções sem vivenciar violência política.

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