Marta fala sobre machismo no futebol: “Doeu quando não me deixaram jogar”

A jogadora brasileira participou de premiação do Comitê Olímpico Internacional

Por: Marielle Rojas | 21 março - 11:47

As vésperas da Copa do Mundo de Futebol Feminino, Marta foi convidada de honra do Comitê Olímpico Internacional para o evento COI Women and Sport Trophy, em Nova York.

Durante seu discurso, a jogadora eleita seis vezes a melhor do mundo, emocionou ao falar sobre sua trajetória. “A minha vida não foi fácil. Eu nasci numa cidadezinha de 11 mil habitantes, no interior do estado de Alagoas, no Nordeste do Brasil, em uma família pobre. Meu pai, como muitos pais até hoje, saiu de casa quando eu tinha menos de um ano de idade e a minha mãe teve que trabalhar muito duro para sustentar meus três irmãos e eu. Talvez, a jornada exaustiva de trabalho, dentro e fora de casa, tenha deixado pouco tempo para ela se incomodar com o falatório das pessoas da cidade sobre o absurdo que era uma menina jogar futebol no meio dos meninos”, começou ela.

Foto: Reprodução/Instagram

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“O preconceito e a falta de oportunidades me doeram muitas vezes ao longo do caminho. Doeu quando os meninos não me deixaram jogar, doeu quando treinadores adultos de times adversários me tiraram de campeonatos, porque eu era uma menina, doeu deixar minha família aos 14 anos de idade para enfrentar três dias de viagem de ônibus, com o dinheiro contado no bolso, e ir morar sozinha no Rio de Janeiro para jogar futebol profissional. Mas a minha certeza de onde eu queria chegar nunca me deixou desistir”, continuou.

Marta disse ter orgulho de ser Embaixadora Global da ONU Mulheres e agradeceu. “Temos histórias de meninas que concluíram o programa e estão agora jogando em times profissionais; meninas – algumas delas, jovens mães – que conseguiram seu primeiro emprego e estão mudando a vida da família para melhor; meninas liderando grupos em suas escolas para discutir sobre igualdade de gênero e combate ao racismo e meninas ajudando amigas e até as próprias mães a saírem de relacionamentos violentos e buscar ajuda. Essas são as histórias que nós temos a responsabilidade de multiplicar”.

“Há muito o que ser feito em tão pouco tempo. Eu convido a cada um de vocês a se unirem a mim, à ONU Mulheres e ao Comitê Olímpico Internacional, e investir no desenvolvimento das meninas no esporte. É nosso compromisso construir para elas e com elas um mundo em que a igualdade de gênero em todas as áreas da vida não seja mais um sonho, mas uma realidade. Obrigada”, finalizou.

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