Entrevista exclusiva: Conheça o rapper Krawk, “o artista mais versátil da cena”

Em entrevista exclusiva para a Metropolitana, o cantor falou sobre carreira, seu lado mais íntimo e até a polêmica com a MC Mirella

Por: Laís | 03 dezembro - 16:57

Diretamente do Piauí para Osasco – em São Paulo – e de Osasco para o mundo! Wallyson Rodrigues Alencar, mais conhecido como ‘Krawk’ faz parte da nova geração do Rap/Trap Nacional e se intitula um dos artistas mais versáteis da cena. Com apenas 24 anos, o rapper é uma das celebridades mais acessadas da internet e já reuniu mais de 3 milhões de admiradores somados em suas redes sociais.

Mais de 30 vezes campeão dos duelos de improviso entre MCs – evento mais conhecido como ‘Batalhas de Rima’ – o o cantor é autor de hits como ‘BMW Monstra’ e ‘Melhor Sozinho’, que contou com a participação do ícone do funk brasileiro MC Davi. Atualmente Krawk está em processo de divulgação de seu novo disco ‘Wally’ que será lançado no início de 2021.

Autor do hit ‘Lembra de Mim, Pai?’ lançado há três meses, o cantor usou a letra para desabafar sobre as dificuldades e dores de viver uma infância na ausência do pai. Em contratempo, o músico cita sua volta por cima ao usar as experiências como fonte de força para suas realizações pessoais. A música também fará parte do repertório de seu novo álbum. Ouça agora:

Na última quinta feira (26), o rapper reencontrou o pai após muitos anos afastados e se apresentou pessoalmente à irmã, Maria Eduarda, de 9 anos, pela primeira vez. Em seu Instagram Stories, Krawk compartilhou o momento do reencontro: “Depois de muitos anos, finalmente encontrei meu pai. Eu não sei o que falar ainda, mas isso aqui tá sendo libertador pra mim […] Tudo tem um propósito e independente das coisas, o propósito foi bom porque a gente está aqui vivendo”, afirmou. Em seu feed, ele aproveitou para registrar um clique ao lado da família. Confira:

Em um bate papo exclusivo com a Rádio Metropolitana, conheça agora o Wallyson, a parte do Krawk que o palco não mostra:

Por que o apelido ‘MC Krawk’?

“Eu não uso mais o MC porque remete muito a funk, então hoje em dia é só Krawk. Eu tenho o maior prazer em contar essa história porque eu acho muito engraçado! Quando eu era mais novo, eu jogava muitos jogos online. Eu ficava o dia inteiro jogando e tinha um aplicativo de áudio, o ‘TeamSpeak’, que eu ficava conversando [com outros usuários] enquanto jogava. E no jogo que se chamava ‘Aika’ da empresa ‘OnGame’, eu tinha uma conta de um personagem feminino e eu queria trocar por um personagem masculino. Aí eu anunciei lá ‘pô, alguém troca de conta comigo?’ porque senão eu teria que criar uma do começo. O nome do meu personagem era ‘Ilusória’ Aí apareceu um rapaz e falou ‘eu troco, também quero trocar de conta, já enjoei dessa’, aí eu troquei com ele e o nome da conta dele era ‘Krawk’, aí ficou até hoje! Uma vez, o TeamSpeak que a gente usava pra conversar caiu e a gente usou um outro aplicativo chamado ‘Raidcall’ que o pessoal conversava e também fazia rima, então como eu entrei com o nome de ‘Krawk’, eu comecei a brincar fazendo rima. E agora eu tô aqui conversando com vocês [risos]”.

Sua meta sempre foi o rap ou em algum momento você pensou em fazer outra coisa? 

“Antes do rap, eu tinha o sonho de ser jogador de futebol. Eu caí de paraquedas no rap, porque quando eu era mais novo, eu nem escutava rap, conhecia só os clássicos como os Racionais MCs, por exemplo. Mas quando eu comecei a rimar na internet, um amigo meu me mostrou o Emicida e falou ‘caramba, olha esse cara que rima’ e eu comecei a ouvir o Emicida, o Projota, o Rashid e pronto, quando eu vi, estava cantando rap! Então não era meu sonho ser um cantor de rap no começo, mas eu sempre tive uma vocação e uma vontade de ser um cara reconhecido, de me expor pro mundo. Até pelo meu histórico familiar bagunçado, eu tinha uma vontade de mostrar meu interior e o rap me proporcionou isso, foi uma forma das pessoas olharem pra mim. Hoje eu respiro isso, só que foi bem ocasional na minha vida. Então eu acho que se eu não fosse músico, eu ia buscar outra forma do mundo me reconhecer, mas eu não ia me contentar em ser uma pessoa comum”.

Você já se sente realizado profissionalmente ou ainda possui metas para alcançar? Se sim, quais são elas?

“Com certeza eu me sinto realizado. Só o fato de já conseguir viver financeiramente da música já é uma coisa gigantesca, porque na realidade do Brasil, é muito difícil viver de música. Então só o fato de viver do que eu amo, já é uma conquista. Mas eu acho que ainda não estou satisfeito porque eu tenho milhões de metas. Eu tô com um álbum pronto e já pensando no próximo. Minha meta é ano que vem estar no Top3 do BR e lançar o álbum do ano, seja num montante de números, em relevância de conceito… Tô trabalhando muito forte em buscar isso. Me sinto realizado e me sinto insatisfeito também, a insatisfação me move a buscar sempre mais”.

Com o crescimento do número de fãs, é natural que também aumente o número dos haters. Como você lida com isso?

“Na real, já houve um tempo que eu levava pro coração, ficava bem chateado com algumas coisas, mas hoje em dia eu sou bem maduro pra lidar com as críticas e com os haters, porque eu entendo que a música não deixa de ser um produto e o ouvinte é o consumidor, então todo consumidor tem direito de consumir e dar sua opinião sobre qualquer coisa, mas eu me apego muito ao carinho dos fãs. E se de um lado tem as pessoas que tentam me diminuir, tirar o mérito, dizer que eu não sou bom e não mereço, do outro lado tem uma galera que emana uma energia tão boa pra mim que acaba até ofuscando esse lado [negativo]. Então eu absorvo as críticas porque eu sei que dentro delas, tem coisas que eu preciso aprender também. Eu recebia muitas críticas que falavam que eu só cantava sobre dinheiro, mulher e as mesmas coisas. E um dia eu falei ‘não tá errado, é verdade, então o que eu posso rever dentro disso sem perder a minha personalidade e fazer algo diferente?’, porque a gente aprende com as críticas também”.

Recentemente, você compartilhou com os seguidores o reencontro com seu pai, além de ter tido a oportunidade de conhecer sua irmã de 9 anos. O que esse momento significou pra você?

“A história do meu pai é bem conturbada. Eu perdi o contato com ele quando eu tinha 4 anos de idade, depois a gente se viu quando eu tinha 10 anos e depois ele apareceu quando eu tinha 17. A última vez que ele apareceu, eu não quis contato com ele, fui até bem duro. Falei que eu precisava de um pai quando eu tinha 10 anos e falei pra ele continuar sumido. E nas batalhas o pessoal sempre falava que eu era filhinho de papai, até que um dia eu pensei que seria interessante fazer uma música sobre isso, um desabafo. E começou-se um processo muito dolorido pra mim, tive que tocar em assuntos que há muitos anos eu não tinha tocado. E ali dentro da música, uns 70% de mim já tinha se curado, mas os outros 30 eu sentia que ser pessoalmente e eu coloquei na minha cabeça que a próxima oportunidade que eu tivesse, iria vê-lo. Até que minha mãe chegou dizendo que tinha visto ele vendendo lanche, peguei meu carro e fui lá com o meu produtor. E eu disse pra ele ‘vim aqui te dizer que eu te perdôo’. Minha irmãzinha chorou, disse que falava pra todo mundo na escola que era minha irmã e ninguém acreditava, aí partiu meu coração. Então sobre meu pai, foi um momento muito difícil, eu tive que tomar muita coragem. E independente do que vai acontecer, se ele vai me ligar ou não, eu sinto que eu fiz a minha parte. Me limpei do rancor e do ódio e recebi muitas mensagens de pessoas dizendo que perdoou os pais porque eu fiz isso também e eu encerrei esse ciclo da melhor forma, com o perdão”.

Como é essa responsabilidade de ser um exemplo pro seu público?

“Eu tenho total noção desse peso. Desde quando eram 10 mil fãs e agora com um 1 milhão, eu sei que a proporção aumenta. E eu agradeço a Deus, peço muita sabedoria pra lidar com isso e sempre levar vidas pro bem e nunca dar um mau exemplo. Eu sou bem responsável, não posto nada fumando, dificilmente posto bebidas, tomo cuidado ao falar sobre drogas, mulheres… Não sou santo, mas entendo que por conta da molecada nova, eu faço só a parte que eles precisam ver mesmo. Essas coisas que geralmente o pessoal do lifestyle trap gosta de mostrar, eu sou o contrário, porque a minha visão vai além do trap. Eu quero ser um artista grande e pro business, isso também não é bom, então eu não quero estar associado a coisas ilícitas. Quero furar a bolha de várias formas”.

Quem vive de música, precisa vender e isso é natural. Até que ponto suas músicas falam sobre seu íntimo e até onde são uma estratégia comercial?

“Eu sou privilegiado em um ponto. Naturalmente, o que eu amo fazer, o tipo de música que eu faço, naturalmente se vende mais fácil. Tem artistas que fazem um tipo de trap que é mais difícil comercializar, mas no meu caso, a música que eu gosto de fazer já é mais disseminável. A música que eu fiz pro meu pai [‘Lembra de mim, pai?’], por exemplo, não é comercial, tenho certeza que as pessoas que se identificaram vão ouvir em todos os Dias dos Pais, ou em algum momento da vida. Tem um público específico, só que ao mesmo tempo é um som que traz uma solidez muito forte, porque as pessoas que se identificam com esse som e eu acredito que a música atrai as pessoas pelo coração. Então eu acredito que tem as músicas que eu preciso fazer e as músicas que eu quero fazer. Mas dentro das músicas que eu preciso fazer, eu dou a minha cara e elas se tornam músicas que eu queira também. Se eu for fazer uma música de amor acústica que está vendendo bastante, eu vou dar a minha cara dentro do que precisa fazer. Eu me considero um dos caras mais versáteis da cena. Então essa linha tênue entre o comercial e o que eu gosto, é muito próxima”.

Como foi a construção do processo da música ‘Lembra de Mim, Pai?’?

“Foi um processo de dentro pra fora que eu levei muitos anos pra ter coragem de fazer e de expor pra alguém. Quando eu comecei a escrever, mostrei pra pouquíssimas pessoas e conforme eu ia compondo, eu ia me desfazendo e chorando. Eu tenho sons onde eu coloco só a parte marrenta do Krawk, que fala que ‘eu sou f*da, um monte de meninas querem ficar comigo e eu faço dinheiro e tal’, e esse lado das nossas futilidades, porque eu também escrevo as minhas futilidades. Mas eu usei esse som pra mostrar a parte que ainda não conhecem de mim e por pra fora essa dor que eu tinha pelo meu pai e ao mesmo tempo o amor que eu tinha pela minha mãe. Além disso, eu queria mostrar pro pessoal que eu não era um playboy que tinha a vida ganha, tive que batalhar muito pra chegar onde estou hoje”.

Sobre seu novo disco ‘Wally’ que será lançado no início de 2021, o que os fãs podem esperar desse novo trabalho?

“Meu nome é Wallyson e esse álbum é totalmente sobre a minha vida, daí o nome Wally. Eu já lancei ‘BMW Monstra, ‘Lembra de Mim, Pai?’ e vou lançar agora a próxima ‘Jogador Não Olha Pra Foto’. Ano que vem lanço álbum definitivo com essas músicas e mais 13 faixas inéditas. O que podem esperar desse álbum, a princípio, versatilidade. Eu sou um cara que me desafio bastante então é um álbum de trap, mas não tem só trap dentro dele, tem outros experimentos. É uma parte muito íntima. Tem de um lado o Wally, com todo meu lado sentimental, introspectivo, de vivência da minha adolescência. E do outro lado tem o Krawk que é o debochado das batalhas, ‘sou f*da mesmo e se não gostou f*da-se’, então é uma junção da simplicidade e da marra. Tenho certeza que vai marcar a cena do trap”.

Falando em lançamento, o que podemos esperar do seu novo hit ‘Jogador Não Olha Pra Foto’?

“Isso começou numa brincadeira, porque eu sempre tirava foto olhando pro lado e falava ‘meu lado mais bonito é esse’, mas pra disfarçar eu falava ‘que nada, jogador não olha pra foto’, não falava que era porque eu ficava mais bonito. Mas eu vi um potencial nessa frase e guardei pra fazer uma música. E eu queria acrescentar algo a mais nesse som, então além da história da foto, eu fiz uma análise e vi que tem vários jogadores de futebol que me seguem, se eles verem eu postando isso, vai gerar uma identificação. E a ideia é que quando lançarmos esse som, vai ter um Challenge, com todo mundo olhando pro lado. A ideia é os jogadores fazerem gol e comemorarem olhando pro lado. Vamos fazer algo pra ficar bem marcado”.

Em diversas ocasiões você deixa claro a admiração pela sua mãe. Qual a influência dela no seu trabalho?

“Minha mãe é o meu exemplo de vida. Uma mulher batalhadora, guerreira, que me ensinou a ser trabalhador e respeitador. Eu nasci no Piauí e com 4 anos de idade, meus pais se separaram, porque meu pai sempre falava que não a amava e como ela tinha engravidado muito nova, ficava submissa naquela situação. Até que um dia ela mudou de postura e falou que ia embora de casa, vendeu a geladeira e o sofá, comprou passagens pra vir pra São Paulo e a gente veio com a roupa do corpo tentar a vida aqui. A gente veio morar na casa da minha tia de favor por muito tempo, então ela me ensinou que tudo é possível, porque hoje ela é empreendedora, graças a Deus, temos o nosso apartamento… E uma pessoa que veio com a roupa do corpo, como vários nordestinos vêm, me mostrou como a dedicação é a maior virtude que alguém pode ter. Coloco minha mãe num pedestal, faço questão de mostrar como eu amo ela, faço diversas letras pra ela e isso é muito natural”.

Quais são suas maiores referências na música?

“Minha referência máxima é o Charlie Brown Jr., mas, fora o Chorão, uma referência que eu ouço também a muito tempo é o Filipe Ret. Mas não costumo ouvir rap ou trap nacional. Eu fico de olho na cena daqui, mas não tenho costume de ouvir. As minhas referências não são nem americanas, eu vou totalmente fora da curva. Eu ouço música européia, trap francês, italiano, alemão… A minha maior referência é um trapper italiano chamado ‘Sfera Ebbasta’.

A pergunta que não quer calar: polêmica com a Mirella. Recentemente, você comentou um emoji de foguinho em uma foto da cantora e o Dynho, namorado da MC, retrucou e pareceu não ter gostado. O que aconteceu, afinal?

“O pior de tudo é que foi muito inocente. Eu conheço a MC Mirella, já fiz shows com ela, já nos trombamos em alguns camarins aí da vida. Ela me segue e eu sigo ela, então eu tenho uma admiração profissional por ela. E eu sempre comento emojis nas fotos de todo mundo, é uma forma de interagir. No dia, eu estava indo pra academia, ela postou uma foto, eu comentei, como já fiz em várias fotos dela. Já comentei foguinho em diversas fotos dela. Quando eu voltei da academia, meu nome estava nos mais comentados do Twitter. E o cara [Dynho] respondeu meu comentário e assim, falando como pessoa, eu não entendi, porque na minha concepção não teve nada demais o comentário. E deixa claro pra mim que era algo [pessoal] comigo, porque não foi só eu que comentei ali. E eu não sei se eles estavam juntos e se estivessem, eu não tinha como saber e também f*da-se, pouco me interessa. Então eu acho que ele ficou meio queimado, saiu como abusivo na história, porque todo mundo ficou do meu lado, falando ‘oxi, não pode comentar mais?’. Mas como também não quero estar nessas tretas desnecessárias, eu apaguei o comentário e segui a vida normal. Mas acho que se tivesse algo inconveniente, ela mesma falaria, mas [pelo contrário], deixou lá, curtiu o comentário… Então acho que foi um surto coletivo. Ele deve ter me visto nas batalhas, deve ser fã e falou ‘ah não!’ [risos]”.

Como está sua vida amorosa? Você está aberto a relacionamentos ou está focado em outras coisas?

“Coração está aberto, está pra jogo. Tamo aí, solteiro, pro golpe! [risos] Coloca em negrito a parte que eu estou solteiro, vai que eu arrumo uma namorada [risos]”.

LEIA TAMBÉM:

Black Eyed Peas lançará clipe de “Girl Like Me” com participação de Shakira

Xamã e Luísa Sonza anunciam parceria musical no clipe de “Câncer”

Confira tudo que rolou no mundo dos famosos:

Deixe seu comentário

BOMBOU!

Recomendadas para você