Senador espera que sirva de “lição” os erros de Ernesto Araújo 

Senado espera que o novo ministro das relações exteriores "se porte de maneira sóbria e técnica" para mudar os rumos da gestão do Ministério

Por: Larissa Placca | 30 março - 21:38

Após saída de Ernesto Araújo do Ministério das Relações Exteriores, os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmam que o projeto que visa suspender as sabatinas de embaixadores perde necessidade.

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A proposta foi protocolada pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN).

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) protocolou a suspensão de sabatinas de embaixadores

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) protocolou a suspensão de sabatinas de embaixadores; Foto: Senado Federal/Divulgação

Trad e Vieira afirmam que o pedido, feito em meio à tensão entre o Congresso Nacional e o então ministro, era uma forma de pressionar o governo Bolsonaro através da suspensão das sabatinas.

“O projeto apresentado pelo líder da oposição foi dentro de um contexto em que se tinha um atrito muito grande com o Ministério das Relações Exteriores, acho que agora não há motivo para este tipo de resolução ser votada”, diz o senador Alessandro Vieira.

Ele afirma que ainda não conhecem o novo chanceler Carlos Alberto França do ponto de vista técnico, mas que tem expectativas de que ele “se porte de maneira sóbria e técnica” para mudar os rumos da gestão do Ministério, questão muito criticada na atuação do ex-ministro.

“Esse é o nosso histórico de diplomacia, que é de neutralidade e boa relação com as nações”, reforça o senador.

A proposta de suspensão de Prates faz fortes críticas à política externa adotada pelo ex-ministro Ernesto Araújo. “Desenvolve-se uma política externa desastrosa, a qual tornou o Brasil pária mundial e ameaça global, e que compromete, inclusive, a obtenção das vacinas destinadas a salvar a vida de milhões de brasileiros”, destaca.

O senador Nelsinho Trad concorda com a perda do objeto da resolução, mas lamenta a saída do ex-ministro, “era tudo que não precisava acontecer”.

“No momento em que a palavra união tem que bater forte não só aqui no Congresso Nacional, como também no Executivo federal, para que a gente possa vencer essa pandemia terrível da covid-19, que tem ceifado milhares e milhares de vidas dia a dia”, diz.

O senador espera que sirva de “lição” para que os erros do ex-ministro não se repitam nem no Congresso e nem no Itamaraty. Para ele, o caminho “é deixar de lado as questões ideológicas para e que a gente possa, juntos e unidos, partir para vencer essa guerra da covid-19”.

O que são as sabatinas em embaixadores?

A Comissão de Relações Exteriores do Senado têm a competência de sabatinar (fazer perguntas e analisar o perfil) os indicados pelo presidente da República para ocupar o cargo de embaixador do Brasil em outros países.

Os candidatos também passam por uma votação secreta em sessão do plenário da Casa e precisam alcançar mais da metade dos votos favoráveis à indicação, estando presentes, pelo menos, 41 senadores.

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