Salles diz que quem manda no ministério do Meio Ambiente é o Bolsonaro “Nenhum país vai fiscalizar, não”

"O Brasil vai ajudar a resolver o problema criado pelos países ricos com as emissões de combustíveis fósseis", disse o ministro.

Por: Larissa Placca | 22 abril - 22:09

Nesta quinta-feira (22), durante transmissão ao vivo, semanal, nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, negou que algum país estrangeiro vá fiscalizar o trabalho da sua Pasta.

“Quem fiscaliza o Ministério do Meio Ambiente é o meu chefe presidente Jair Bolsonaro. Nenhum país vai fiscalizar o Ministério do Meio Ambiente, não”, disse.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em coletiva de imprensa

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em coletiva de imprensa; Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação

Salles afirmou que será uma “satisfação” que outras nações vejam o que o governo federal faz para eliminar o desmatamento ilegal.

No dia 26 de março, o presidente dos Estados Unidos convidou 40 chefes de Estado, inclusive Bolsonaro, para uma cúpula virtual nos dias 22 e 23 de abril, com a intenção de discutir mudanças climáticas.

Nesta quinta-feira (22), durante discurso, Bolsonaro pautou que o sucesso do Brasil na eliminação do desmatamento precisará de ajuda financeira internacional.

“O Brasil vai ajudar a resolver o problema criado pelos países ricos com as emissões de combustíveis fósseis e eles estão sendo chamados a nos ajudar a combater o problema do desmatamento ilegal”, disse o ministro.

“A gente agradece a oferta do presidente Biden de US$ 20 bilhões e estamos apresentando um plano de US$ 1 bilhão. Se esse US$ 1 bilhão não vier, vamos fazer tudo que a gente precisa fazer com nossos próprios recursos”, completou.

Salles afirmou que a quantia seria suficiente para diminuir “substancialmente” o desmatamento ilegal na região amazônica em 12 meses.

Na conferência climática, Bolsonaro se comprometeu a zerar, até 2030, o desmatamento ilegal, e, até 2050 as emissões de carbono.

O ministro do Meio Ambiente garantiu que as metas são factíveis, mas voltou a associá-las a repasses das nações desenvolvidas para ajudar o Brasil “a resolver o problema dos 23 milhões de brasileiros deixados para trás na Amazônia”.

Para o coordenador da frente parlamentar ambientalista no Congresso, o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), “O discurso moderado já era esperado porque o presidente está no corner, pressionado pela opinião pública, pela União Europeia, pelo presidente Joe Biden.” disse.

“Não adianta de nada. O Brasil não tem o que mostrar. O mundo não acredita mais no Brasil”, concluiu. Para o coordenador da frente parlamentar ambientalista, Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mentem ao dizer que o país está reforçando a fiscalização.

“O mundo quer é compromisso real. Biden nem ouviu o discurso do Bolsonaro. Levantou-se antes. A opinião pública americana não quer acordo com o Brasil”, afirmou o deputado.

Mais de 400 servidores de carreira do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) denunciaram que todas as atividades de fiscalização de infrações ambientais desenvolvidas pelo órgão estão paralisadas.

“Não tem mais multa ambiental no país. É uma impunidade total”, completou o Deputado.

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