Relatora diz que “há muita pressão” dos deputados para incluir bancários e setor corporativo na fila prioritária de vacinação

A Câmara discute a inclusão de novos grupos prioritários na fila da vacina através dos destaques para entrar no texto-final do projeto

Por: Larissa Placca | 07 abril - 17:39

A Câmara discute a inclusão de novos grupos prioritários na fila da vacina através dos destaques para entrar no texto-final do projeto. O texto-base foi aprovado na semana passada e incluiu categorias como oficiais de justiça, coveiros, taxistas, entre outros.

Segundo a relatora, deputada Celina Leão (PP-DF), “há muita pressão” por parte de deputados para incluir bancários, membros do sistema S e do setor corporativo na fila prioritária de vacinação.

vacina contra a covid

Foto: Agência Brasil/Divulgação

“Mas os deputados não têm como pedir a inclusão de nada que não esteja nos destaques. Não tem mais prazo pra apresentar destaques também, então tudo isso teria que ser feito em outra proposta”, afirmou.

O deputado Alencar Santana (PT-SP) pediu, por meio de emendas, a prioridade aos trabalhadores dos Correios e a feirantes.

O partido de Santana, com direito a adicionar dois destaques, sugeriu no lugar a priorização de domésticas e motoristas de transportes coletivos urbanos. Agora, para incluir os trabalhadores de Correios e feirantes somente será possível por meio de outra proposta.

“Isso é uma pena pois entendemos que os trabalhadores dos Correios estão totalmente expostos, merecem prioridade, circulam dentro de uma cidade de um ponto a outro, assim como as domésticas e os feirantes, que trabalham em vários lugares diferentes”, disse Alencar Santana.

Para ele, “O ideal é que a gente não tivesse que escolher quais categorias são prioritárias, o ideal é que tivesse vacina para todo mundo. Mas estamos vivendo um momento tão grave com tanta incompetência do governo que precisamos chegar ao absurdo de escolher quem se vacina antes”, disse Santana.

Danilo Cabral é autor do PL 70/2021, que pede prioridade de imunização às pessoas de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Porém, não pediu a inclusão no PL 1.011/2020, que já está em fase de votação. Ele afirma que é preciso “amadurecer essa proposta”.

“Como já tinha um conjunto de situações expostas no PL, não quisemos prejudicar a votação incorporando isso também. Mas no meu entendimento e do meu partido, tem que haver a priorização do CadÚnico, porque os mais pobres claramente têm um nível de letalidade maior, por causa de sua condição social, do que aqueles que vivem em condições de classe média”, argumentou Cabral.

Veja a ordem oficial de vacinação prioritária definida pelo Ministério da Saúde no Plano Nacional de Imunização:

  • Pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas;
  • Pessoas com deficiência institucionalizadas;
  • Povos indígenas vivendo em terras indígenas;
  • Trabalhadores da Saúde;
  • Pessoas de 75 anos ou mais;
  • Povos e comunidades tradicionais ribeirinhas;
  • Povos e comunidades tradicionais quilombolas;
  • Pessoas de 60 a 74 anos;
  • Pessoas de 18 a 59 anos com comorbidades;
  • Pessoas com deficiência permanente grave;
  • Pessoas em situação de rua;
  • População privada de liberdade;
  • Funcionário do sistema de privação de liberdade;
  • Trabalhadores de educação;
  • Forças de segurança, salvamento e Forças Armadas;
  • Trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros;
  • Trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário;
  • Trabalhadores de transporte aéreo;
  • Trabalhadores de transporte de aquaviário;
  • Caminhoneiros;
  • Trabalhadores portuários;
  • Trabalhadores industriais.

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