Relator do Orçamento de 2021 afirma que o Ministério da Economia está sendo desleal com ele. “Alguém está mentindo”, declarou

“Nada foi feito sem conhecimento ou consentimento do Ministério da Economia”, afirmou senador Márcio Bittar

Por: Larissa Placca | 06 abril - 20:17

O senador Márcio Bittar (MDB-AC), o relator do orçamento de 2021, está sendo culpado pelo texto que definiu cortes de cerca de R$ 30 bilhões em despesas obrigatórias da Previdência, do auxílio-doença e do seguro-desemprego.

“Nada foi feito sem conhecimento ou consentimento do Ministério da Economia”, afirmou Bittar. “O que o Ministério da Economia está fazendo agora comigo posso classificar, no mínimo, como deslealdade”, completou.

senador Márcio Bittar (MDB-AC) em sessão

senador Márcio Bittar (MDB-AC) em sessão; Foto: Senado Federal/Divulgação

Em entrevista, o Ministro da Economia, Paulo Guedes contraria qualquer conhecimento. Ele reafirma que o Orçamento de 2021, da maneira que foi aprovado pelo Congresso, não será possível ser realizado.

Arthur Lira também apoia o ministro que será necessário um corte de cerca R$ 5 bilhões nos gastos, além dos R$ 10 bilhões em emendas devolvidos pelo relator, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), para fechar as contas.

O ministro diz que o presidente Jair Bolsonaro precisará vetar toda a parte de despesas discricionárias, porque se não cumpridas podem cair em crime de responsabilidade. Leia a entrevista completa.

Versão do Orçamento 2021 aprovado:

O orçamento prevê gastos de R$ 30 bilhões com emendas parlamentares. O senador retirou R$ 1,9 bilhão para a realização do Censo pelo IBGE.

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Bittar diz que, com exceção da retirada do dinheiro para o Censo, que foi de sua iniciativa, o restante foi excluído a pedido do próprio governo. “Alguém está mentindo”, declarou.

“A fórmula de onde cortar nunca foi coisa da minha cabeça. Eu não ia inventar de cortar da Previdência, do abono. Isso é gasto de energia insuportável e desnecessário”, criticou o senador, que também relatou a PEC Emergencial, que abriu caminho para a retomada do auxílio emergencial.

Na análise de parlamentares e integrantes da equipe econômica, o orçamento aprovado pelo Congresso será pouco e fará com que o governo ultrapasse o teto de gastos, deixando o presidente Jair Bolsonaro exposto à um processo por crime de responsabilidade.

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Parlamentares contestaram o corte em despesas obrigatórias.

Bittar tinha direito como relator à R$ 10 bilhões de emendas, as quais ele renunciou o direito. Essa renúncia desse montante, segundo ele, vai retirar recursos da Defesa Civil, de atendimento a dependentes químicos, a estudos de vacina e da fiscalização do Ibama.

Isto teria promovido uma disputa política entre os ministros Paulo Guedes (Economia) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), já que os recursos das emendas foram, em sua maioria, para investimentos em obras indicadas por parlamentares.

“Qualquer ajuste eu faria sem necessidade de desgaste, que traz essa briga intestina horrorosa entre ministérios, uma briga de egos que virou patológica”, afirmou Bittar.

O Congresso em Foco procurou o Ministério da Economia para comentar as declarações de Márcio Bittar, mas a pasta informou que não vai se manifestar.

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