Número de vereadoras eleitas aumenta em 19,2%, mas setor político ainda possui preconceitos; entenda

De acordo com o TSE, 16,1% das candidatas eleitas foram mulheres, com dados do início de 2021

Por: Aline Bueno Silvestre | 28 abril - 19:49

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou o número de vereadoras eleitas, com um aumento de 19,2%. Além disso, neste ano as eleições contaram com 16,1% das candidatas mulheres escolhidas pelos candidatos.

Em 2016, esse valor era de 13,5%. Porém, apesar de aumentar a representatividade feminina na política, vereadoras ainda relatam um cenário de desafios.

Número de vereadoras eleitas aumenta, mas cenário político ainda possui muito preconceito contra a mulher

Foto: Reprodução/Pixabay

Ana Lúcia Ferreira, Dra. Ana Veterinária (Partido Democratas) como é conhecida, é vereadora na cidade de Santo André, no Grande ABC. Ela conta sobre as dificuldades que enfrenta por estar no cargo. “Na política sofro com fake news e ilações para manchar minha imagem e pasmem, a maioria desses ataques partem de mulheres.”

Ana comenta também sobre a influência das redes sociais nesse meio. “As redes sociais criaram um tipo de gente covarde que se esconde atrás das teclas de celulares e computadores para agredir, mentir, acusar sem provas.” ressalta.

Dra. Ana foi a única vereadora eleita em Santo André, uma cidade com mais de 700 mil habitantes. Para ela, “Isso é muito, muito pouco”.

As cotas femininas nos partidos

De acordo com o TSE e através da Emenda Constitucional (EC) nº 97/2017, cada partido individual, sem as coligações, deve ter ao menos 30% de mulheres filiadas para conseguir concorrer no pleito. 

Isso porque na Lei nº 9.504/1997 das Eleições, “Cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo”. 

Dra. Ana ressalta sua própria experiência de acordo com as cotas nos partidos. “Na primeira vez que sai candidata, em 2016, com o transcorrer da campanha percebi que minha candidatura foi tratada pelo partido como uma mulher para cumprir cota feminina.”

No entanto, ela não desistiu. Com a experiência anterior, ela afirma que não deixou que tratassem ela da mesma forma. “E o resultado foi minha eleição com 4.908 votos, (…) e a mais votada dentre todas as mulheres das sete cidades do Grande ABC.”, afirma.

A vereadora Ana Paula (PSC), de Indaial, em Santa Catarina, também falou sobre as cotas dos partidos e a necessidade de ter mulheres neles. “As mulheres, muitas vezes, ainda são vistas como necessárias para preencher a cota que a legislação eleitoral exige”, disse.

No entanto, depois da maior presença das mulheres nos cargos políticos, a importância de ter mulheres nesse meio está cada vez mais evidenciada. “Mas eu ainda acredito que reconhecer a mulher na política deve ser feito pelo que ela é! (…) E pelo trabalho que fazem e conquistam no meio político devem ser reconhecidas (não pelo fato de: precisamos de uma mulher na chapa porque povo gosta).”, disse Ana Paula.

Ela também relata o machismo que sofre. Na cidade de Indaial, são duas deputadas mulheres, contando com Ana. “Se uma vereadora consegue arrumar tal situação lá na Secretaria de Obras, é porque ela deve ter um caso com o secretário de obras. (…) Tem um pouco desse machismo, ela não consegue pelos próprios méritos.”

A importância de mais mulheres na política

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Juliana Fraga (Partido dos Trabalhadores) é vereadora na cidade de São José dos Campos. Para ela, “Quanto mais mulheres na política, maior a chance de pautas, políticas públicas e respeito conosco. Mesmo com luta, o espaço de fala e a representatividade ampliam.” 

Além disso, ter mais mulheres na política reflete até mesmo nas ações da sociedade. 

“[Isso] impacta exatamente na representatividade, no olhar, na voz e na luta. De entender e representar situações que apenas as mulheres conhecem. (…) Impacta na consolidação de um caminho aberto por outras mulheres que não tiveram o favor de ninguém, mas lutaram por nossos direitos e por podermos fazer e ser o que quisermos.”, disse Juliana. 

Alguns deputados federais defendem a maior representação de mulheres e negros na política, o que já é um avanço para o grupo.

Numa visão para o futuro, Juliana ressalta que espera que haja leis que representem as mulheres. “Espero ainda maior o espaço para mulheres na política daqui alguns anos. Inclusive com leis que garantam 50% de representantes mulheres nos espaços de poder.”

Para a Dra. Ana Veterinária, ela espera que “tenhamos cada vez mais mulheres em todos os cargos eletivos, sejam eles no Executivo ou no Legislativo. Que mais mulheres assumam secretarias nas cidades e estados, estejam nas presidências e diretorias de órgãos públicos.”

Já Ana Paula fala sobre a mulher estar onde quiser. “Que as pessoas do mundo inteiro entendam que o lugar da mulher é onde ela quiser, inclusive na política. Lutando por sonhos e histórias, porque estar na política é batalhar pela vida alheia. Servir ao próximo!”, afirma.

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