Multa por discriminação salarial pode tornar emprego para mulheres ‘quase impossível’, diz Bolsonaro

A proposta, aprovada pelo Senado no final de março, tem até próxima segunda-feira (26) para ser ou não sancionada pelo presidente

Por: Caroline Ripani | 23 abril - 15:44

Na última quinta-feira (22), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou ter dúvidas sobre dever ou não sancionar o Projeto de Lei que estabelece multa para empresas que adotem salários diferentes entre homens e mulheres que desempenham a mesma função.

“Se eu sancionar, como é que vai ser o mercado de trabalho para mulher no futuro? É difícil a mulher arranjar emprego? É difícil para todo mundo, para mulher um pouco mais difícil. [Vamos ver] Se o emprego vai ser quase impossível ou não”, disse o presidente. Em seguida, Bolsonaro completou “pode acontecer que o pessoal não contrate ou contrate menos mulheres”.

Presidente Jair Bolsonaro de máscara

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Bolsonaro, que tem até a próxima segunda-feira (26) para sancionar a proposta, disse que consultará as redes sociais e pediu para um programa de rádio fazer uma enquete sobre o tema.

“Não quer dizer que, de acordo com a resposta da pesquisa, eu vá atender. Que deve ter muita gente que vai votar para eu vetar para depois me criticar. Então, isso eu vou levar em conta, que a gente tem um sentimento aqui do que acontece no Brasil também”, afirmou o chefe do Executivo.

Caso decida vetar o projeto, Bolsonaro declarou que seria “massacrado” pelas mulheres. “Se eu veto o projeto, imagina como é que vai ser a campanha das mulheres contra mim. ‘Ah machista, eu sabia, ele é contra a mulher, quer que mulher ganhe menos’. Se eu sanciono, os empregadores vão falar o seguinte: ‘poxa, pode o que eu estou pagando aqui ser questionado judicialmente’. Na Justiça trabalhista, dificilmente o patrão ganha, quase sempre o empregado ou empregada, no caso, ganha”, disse o presidente.

O texto, aprovado pelo Senado em 30 de março, altera a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). De acordo com a proposta, a multa a ser paga à funcionária que sofreu discriminação salarial por parte da companhia na qual trabalha é de cinco vezes a diferença de salário constatada.

*Com informações da Folha de S. Paulo

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