Governo quer preparar Pazuello para depor na CPI da Covid sobre suspeita de omissões na gestão da pandemia

O ex-secretário irá analisar fatos que provem que o governo não foi omisso na pandemia nem na crise do oxigênio. As informações são do jornal O Globo.

Por: Larissa Placca | 25 abril - 14:16

O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, vai se preparar em Brasília para depoimento na CPI da Covid, que será instalada na terça-feira (27) no Senado.

O general, que foi realocado dentro do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para a Secretaria-Geral do Exército, na semana passada, vai dedicar em analisar documentos, dados e informações oficiais que reforcem a narrativa de que o governo não foi omisso na pandemia nem na crise do oxigênio em Manaus. As informações são do jornal O Globo.

Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, em pronunciamento

Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, em pronunciamento; Foto: Agência Brasil/Divulgação

Além disso, diz a reportagem de Jussara Soares, o governo planeja uma “operação de guerra” para blindar Jair Bolsonaro. Além de preparar Pazuello, o plano envolve acionar o ex-presidente José Sarney, montar um comitê com representantes de diferentes ministérios e levantar documentos sobre a ação do governo na pandemia.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), favorito para ser o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse nesta sexta-feira (23) que o governo ainda tenta afastá-lo da função.

Parlamentares aliados do governo alegam que Calheiros pode ser tendencioso no direcionamento da investigação, isso porque ele é pai de Renan Filho (MDB), governador de Alagoas, que pode vir a ser investigado da comissão para justificar repasses federais no estado. 

“Eu não gostaria de ver o Flávio Bolsonaro relatando a CPI. Agora, do mesmo jeito que eu acho que não é ideal o filho do presidente ser relator, o filho ou o pai de algum possível investigado, ainda que indiretamente, não é adequado”, afirmou a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

Já Renan Calheiros disse que Zambelli quer “atrasar o andamento da CPI”. Zambelli entrou com uma ação na Justiça Federal para impedir que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) seja o relator da CPI da Covid.

Renan Calheiros se posicionou sobre o questionamento pelas redes sociais, dizendo: “Desde já me declaro parcial para tratar qualquer tema na CPI que envolva Alagoas. Não relatarei ou votarei. Não há sequer indícios quanto ao estado, mas a minha suspeição antecipada é decisão de foro íntimo”, disse o senador na sexta-feira (24).

Renan afirmou que sempre deixou claro que se houvesse algo a investigar de Alagoas “designaria outro relator para o caso” e que sua declaração não significa “jamais” a retirada de sua candidatura. “Fiz isso para afastar qualquer hipótese de suspeição [tendenciar a investigação] depois, como aconteceu com o [Sérgio] Moro”, declarou.

Os senadores escolhem na próxima terça-feira (27) o presidente, vice e o relator da CPI. Os cotados para as posições são Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros, respectivamente.

A confirmação dos cargos será feita através de uma votação secreta na primeira reunião da Comissão. Votam os onze membros da comissão pelo presidente, e este, quando eleito define o relator da CPI.

Veja a lista de nomes que serão investigados pela CPI da Pandemia; Guedes, Pazuello e Araújo estão entre eles

De acordo com os dados de votações e declarações, dos 11 integrantes da comissão, apenas quatro mantém posicionamento claro pró-governo Bolsonaro.

O que é a CPI?

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 deve investigar erros e omissões do governo federal ao coordenar a pandemia da doença no Brasil. Além disso, deve ouvir todos os Ministros da Saúde que passaram pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido), atual presidente do país. Henrique Mandetta deve ser o primeiro.

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