Fontes do MPRJ dizem que Bolsonaro foi procurado por comparsas do miliciano Adriano da Nóbrega

As informações foram divulgadas em reportagem de Sérgio Ramalho do The Intercept divulgada neste sábado (24).

Por: Larissa Placca | 25 abril - 13:39

Diálogos transcritos de grampos telefônicos sugerem que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi procurado por integrantes da rede de proteção do miliciano Adriano da Nóbrega. As informações foram divulgadas em reportagem de Sérgio Ramalho do The Intercept divulgada neste sábado (24).

Após a morte do chefe do “Escritório do Crime”, cúmplices de Adriano fizeram contato com uma pessoa chamando por: “Jair”, “HNI (PRESIDENTE)” e “cara da casa de vidro”.

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no celular;

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no celular; Foto: Isac Nóbrega/Presidência

Ainda segundo a reportagem do The Intercept, fontes que pediram anonimato do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPE), apontam que o conjunto de circunstâncias permite concluir que os nomes fazem referência ao presidente da República.

“O cara da casa de vidro” seria em referência aos palácios do Planalto e da Alvorada, ambos com fachadas de vidro.

Segundo a reportagem do Intercept, na noite da morte do miliciano, um homem chamado de Ronaldo Cesar, o Grande, diz a uma mulher que ligaria para o “cara da casa de vidro”, devido à pendências financeiras. Ele quer saber “como vai ser o mês que vem”.

A escuta das conversas pelo MPE duram onze dias. Após a morte de Adriano, o Grande fala com um homem não identificado, mas chamado como PRESIDENTE, informando que a família do miliciano está com problemas devido à divisão de bens. No mesmo dia, o nome “Jair” aparece nas transcrições.

A reportagem afirma que após as citações, o MPE encerrou as escutas, ainda que eles seguissem falando sobre as atividades ilegais de Adriano da Nóbrega. Isso porque o MP estadual não pode investigar o presidente.

O caso, portanto, para seguir investigado deveria ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República. A assessoria da PGR afirmou que “até o momento, não há nada sobre esta menção em nosso sistema.”

Por e-mail, o MPRJ disse que, “após análise das conversas interceptadas dentro do seu contexto, não foram encontrados indícios de que os termos empregados façam referência a qualquer autoridade. A denúncia está sendo apreciada no processo judicial que tramita perante a 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca da Capital.”

*Com informações do Congresso em Foco, reproduzidas do The Intercept

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