Ex-secretário de Comunicação aponta “incompetência e ineficiência” da Saúde por atraso na compra de vacinas da Pfizer

Wajngarten afirmou, em entrevista, que chegou a se envolver em negociações com a Pfizer em setembro de 2020

Por: Murilo Amaral Feijó | 23 abril - 19:30

Em entrevista à revista Veja, publicada nesta sexta-feira (23), o ex-secretário de Comunicação da Presidência (Secom), Fabio Wajngarten, afirmou que o Ministério da Saúde agiu com “incompetência e ineficiência” ao deixar de comprar antes a vacina da Pfizer contra a covid-19.

Wajngarten, nomeado e menos de um ano depois exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou ter conhecimento sobre reuniões do governo federal com a Pfizer para a compra de vacinar, no ano passado.

Fabio Wajngarten, ex-secretário especial de Comunicação da Presidência

Ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-secretário contou que o contato da empresa com o governo era sobre “o avanço de suas pesquisas, dos contratos que já havia assinado com o governo americano e com a Europa para a venda de vacinas”, além de oferecer ao Brasil prioridade no fornecimento da vacina.

Segundo Wajngarten, as negociações avançaram e a Pfizer chegou a prometer “antecipar entregas, aumentar os volumes e até mesmo reduzir o preço da unidade, que ficaria abaixo de US$ 10 [cerca de R$ 55]”. Porém, “as coisas travavam no Ministério da Saúde”, afirmou.

Sobre o que poderia ter sido o impasse na compra dos imunizantes, o ex-secretário disse que foi “a incompetência e ineficiência” do Ministério da Saúde, na época comandado pelo ex-ministro Eduardo Pazuello, um dos nomes investigados pela CPI da Covid.

Ao ser questionado sobre o presidente, Wajngarten afirmou que Bolsonaro “sempre disse que compraria todas as vacinas, desde que aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”. Para o ex-secretário, o problema de Bolsonaro são os assessores, “que lhe repassariam informações erradas e distorcidas”.

Sobre a CPI da Covid, aberta pelo Senado Federal, Fabio Wajngarten afirma estar tranquilo e que se necessário, “posso esclarecer tudo isso à CPI”. Ele é um dos nomes indicados para depor na comissão.

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