Ex-chefe da PF no Amazonas diz que Salles “tornou legítima a ação dos criminosos, não do agente público”

Delegado Alexandre Saraiva enviou notícia-crime ao STF, acusando o ministro do Meio Ambiente de tentar dificultar investigações

Por: Maria de Toledo Leite | 26 abril - 19:48

Nesta segunda-feira (26), o delegado da Polícia Federal, Alexandre Saraiva, afirmou em audiência na Câmara dos Deputados que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, inverteu as investigações e “tornou legítima a ação dos criminosos, não do agente público”, em ações de fiscalização da Amazônia.

Saraiva é ex-chefe da PF no Amazonas e quem apresentou a notícia-crime contra Salles ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o delegado, o ministro e aliados tentaram dificultar as investigações feitas pelos órgão ambientais.

Segundo Saraiva, o ministro do Meio Ambiente tinha todos os lados periciais e informações necessárias para julgar o caso. “A principal empresa que atua na região já recebeu mais de 20 multas do Ibama, teve aproximadamente R$ 9 milhões em multas”, afirmou o delegado.

Na notícia-crime, Saraiva apontou que Salles, o senador Telmário Mota e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, agiram para brecar as ações de fiscalização do poder público em questões ambientais. Também são apontados indícios de que o grupo tenha praticado crime de advocacia administrativa, quando se patrocina, direta ou indiretamente, interesses próprios usando a administração pública.

Notícia-crime

Uma notícia-crime é uma comunicação feita para o Ministério Público ou à polícia sobre um fato criminoso. Um dia após o anúncio do documento, a PF anunciou que Saraiva seria substituído no cargo. O novo superintendente, Leandro Almada, tomou posse no último dia 20.

Entenda

No fim do ano passado, mais de 200 mil metros cúbicos, no valor de R$ 130 milhões de madeira, foram apreendidos na Operação Handroanthus. Salles e Telmário foram contrários à operação da Polícia Federal, o que levou à apreensão do material.

Em março, o ministro chegou a visitar o Pará, onde estava a madeira apreendida, se reuniu com os madeireiros para tratar do tema, e se pronunciou sobre o caso, defendendo que fosse dada uma solução logo.

Durante a audiência na Câmara, Saraiva afirmou que a extração da madeira foi feita sem a documentação correta e em área de proteção ambiental. Ele ainda disse que Salles fez uma “pseudoperícia” na madeira apreendida na operação. “De 40 mil toras olhou duas e disse que conferiu, que a princípio estava tudo certinho, que as pessoas apresentaram escrituras”, disse.

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