Bolsonaro volta a citar possível uso do Exército contra medidas de restrição da Covid-19: “Forças Armadas podem ir para rua”

“Estão esticando a corda, faço qualquer coisa pelo meu povo. Essa qualquer coisa é o que está na nossa constituição, nossa democracia e nosso direito de ir e vir”.

Por: Larissa Placca | 24 abril - 13:51

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a citar um possível uso do Exército contra medidas de restrição para combater a Covid-19.

A afirmação foi feita durante sua visita a Manaus nesta sexta (23), o presidente afirmou à TV A Crítica que “nossas Forças Armadas podem ir para rua um dia sim (…) para fazer cumprir o artigo 5º [da Constituição]: o direito de ir e vir, acabar com essa covardia de toque de recolher, direito ao trabalho, liberdade religiosa”.

O presidente Jair Bolsonaro acena ao lado do ex-ministro Eduardo Pazuello (Saúde) durante evento em Manaus

O presidente Jair Bolsonaro acena ao lado do ex-ministro Eduardo Pazuello (Saúde) durante evento em Manaus; Foto: Alan Santos – 23.abr.2021/Presidência da República

No dia 12 de abril, o ministro Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello deu 15 dias, o Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) explicar as declarações que subentendem uso das Forças Armadas. Pronunciamento do presidente expira no próximo dia 27, terça-feira.

As declarações foram dadas a apoiadores na frente do Palácio da Alvorada em 21 de março, dia do seu aniversário.

“Alguns tiranetes ou tiranos tolhem a liberdade de muitos de vocês. Pode ter certeza, o nosso Exército é o verde oliva e é vocês também. Contem com as Forças Armadas pela democracia e pela liberdade ”, disse o presidente.

“Estão esticando a corda, faço qualquer coisa pelo meu povo. Essa qualquer coisa é o que está na nossa constituição, nossa democracia e nosso direito de ir e vir ”, concluiu.

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A decisão do ministro foi motivada por pedido protocolado na Corte pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO). Na ação, o parlamentar comenta que Bolsonaro sugestiona a prática de atos criminosos, contrários à ética, à moral, ao decoro e boa fama, acusando de forma ambígua as autoridades.

No início deste mês, durante cerimônia de transmissão do comando da Marinha do Brasil, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Antônio Amaro, reforçou ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido): “Aceito o convite, a minha espada não tem partido.”

No final de março, (29/3), o então ministro da defesa, Fernando Azevedo e Silva, informou por meio de uma nota oficial seu desligamento. O pedido foi feito logo após o desligamento do Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e precedeu a mini reforma ministerial de Bolsonaro, alterando no total 6 pastas.

O presidente entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o julgamento da ação recorrida pelo governo para suspender os efeitos dos decretos da Bahia, do Distrito Federal e do Rio Grande do Sul que estabelecem medidas restritivas no combate à pandemia da covid-19, como o fechamento de atividades não essenciais e o toque de recolher.

Isto porque, no início do mês de março, conforme informado pela Metropolitana, o STF prorrogou a lei que autoriza governadores e prefeitos a determinarem medidas próprias contra a Covid-19.

No dia 19, o presidente disse, aos seus apoiadores no Palácio da Alvorada, que o governo federal poderá tomar “medidas duras” se o STF não acatar a ação contra as políticas de restrição dos governos e municípios.

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No entanto, a medida não foi suspensa e Bolsonaro voltou a criticar governadores e prefeitos que declararam lockdown e toque de recolher, afirmando que esse tipo de decisão cabe apenas ao presidente, ao declarar estado de sítio.

Entenda a relação do presidente com as forças armadas.

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