Bia Kicis ‘oculta’ de registros da CCJC falas se referindo a Bolsonaro como genocida; Deputados do Psol recorrem

"É de rigor salientar que nem nos anos de chumbo, ferida aberta em nossa história, a palavra dos parlamentares foi censurada nos moldes intentados pela Deputada Bia Kicis", afirma o recurso

Por: Larissa Placca | 12 abril - 20:40

Deputados recorreram a decisão da presidente da Comissão de Constituição Justiça e Cidadania (CCJC), Bia Kicis (PSL-DF).

A deputada Kicis retirou dos registros de sessão do colegiado o termo “genocida”, em referência ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Deputada Bia Kicis (PSL-DF), presidente da CCJ

Deputada Bia Kicis (PSL-DF), presidente da CCJC; Foto: Agência Brasil/Divulgação

Nas chamadas notas taquigráficas da comissão, o termo foi substituído por “expressão retirada por determinação da Presidência”. A sessão em questão foi realizada na última quarta-feira (7) e durou cerca de quatro horas.

Os parlamentares que se referiram a Bolsonaro como genocida, foram: Fernanda Melchionna (Psol-RS), Maria do Rosário (PT-RS), Erika Kokay (PT-DF), Rui Falcão (PT-SP) e Orlando Silva (PC do B -SP). Os deputados criticavam a postura do presidente na pandemia de covid-19.

“A fim de demostrar tal absurdo cometido pela Presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, é de rigor salientar que nem nos anos de chumbo, ferida aberta em nossa história, a palavra dos parlamentares foi censurada nos moldes intentados pela Deputada Bia Kicis”, afirma o recurso dos deputados encaminhado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Os parlamentares pedem a anulação da decisão de Bia Kicis. São autores do recurso: Melchiona, Kokay, Maria do Rosário e ainda Gleisi Hoffmann (PT-PR), Ivan Valente (Psol-SP) e Paulo Teixeira (PT-SP).

“Se hoje é determinada a exclusão de expressões supostamente injuriosas proferidas por parlamentares de suas notas taquigráficas, amanhã, talvez, volte a presidência a cassar a palavra de parlamentares durante seu tempo regimental de fala, conforme realizado em suas primeiras sessões como Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania”, diz o pedido.

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