Bancada feminina do Senado faz apelo à OMS por ajuda no enfrentamento da pandemia da covid-19

A bancada feminina do Senado vai encaminhar um ofício à organização solicitando apoio

Por: Bianca Antunes | 19 abril - 14:16

A bancada feminina do Senado vai encaminhar um ofício à OMS (Organização Mundial de Saúde) solicitando apoio para a aquisição de medicamentos e vacinas para o combate da pandemia de covid-19 nesta segunda-feira (19).

As parlamentares pedem para que a organização interceda para agilizar a entrega dos produtos ao Brasil. “A situação é gravíssima, estamos na iminência de um verdadeiro colapso”, diz a líder da bancada, Simone Tebet (MDB-MS) no documento.

Foto: Divulgação/Senado

O ofício é destinado à diretora-assistente da OMS, Mariângela Simão, em que as 12 parlamentares relatam o estado sistema de saúde nacional, a falta de oxigênio e de sedativos e neurobloqueadores do ‘kits intubação’.

“A dor e a asfixia pela falta de remédios não deixam de ser a antecipação da última respiração de um ser humano”, diz Simone Tebet ao relatar a falta de medicamentos para permitir a intubação.

As parlamentares ainda reconhecem o esforço do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mas pedem para que a OMS sensibilize o mundo em relação à situação brasileira.

Confira o ofício na íntegra

Solicitação de apoio para aquisição de insumos e medicamentos destinados ao combate da pandemia de Covid-19.

Prezada Dra. Mariângela Simão,

Nós, da Bancada Feminina do Senado Federal, composta por doze Senadoras da República, solicitamos a sua especial atenção junto à valorosa Organização Mundial de Saúde (OMS) no que se refere ao estado crítico que a saúde pública de nosso País vem enfrentando.

Inúmeros são os relatos de situações vivenciadas em hospitais públicos e privados, de diversos Estados da Federação, a respeito do possível desabastecimento dos chamados “kits intubação”.

Não é aceitável que se repita em nenhum outro lugar o ocorrido em Manaus no início deste ano, em que a escassez do fornecimento de oxigênio hospitalar levou à morte, por asfixiação, muitos brasileiros.

Em virtude do aumento gradativo do tempo de permanência de internação de pacientes graves, a crise de desabastecimento do “kit intubação” e de oxigênio é uma triste realidade instalada no nosso país. Só em São Paulo, estado brasileiro mais populoso e referência para atendimentos médicos, 68% dos serviços de saúde já estão com os estoques de neurobloqueadores e
sedativos zerados. Grande parte dos outros estados brasileiros possui estoques em estágio crítico, com margem de cobertura para apenas 2 ou 3 dias. A situação é gravíssima, estamos na iminência de um verdadeiro colapso.

No último mês, o sistema de saúde brasileiro chegou a registrar taxa de ocupação média dos leitos de UTI superior a 100%.

Apesar das últimas notícias sinalizarem uma queda para 85% nas UTIs privadas e 90% nas UTI’s públicas, há um forte receio de que isso seja passageiro. O Ministro da Saúde Marcelo Queiroga tem emanado esforços em torno de uma  frente ampla de atuação para implementar medidas alternativas urgentes de suporte à rede de saúde. É nesse momento que as ações preventivas e o planejamento a médio e longo prazos devem acontecer, para evitar que os tristes dados estatísticos, como os do mês passado, pico da pandemia no Brasil, voltem a estampar os nossos jornais e ceifar as vidas de inúmeros brasileiros.

A dor e a asfixia pela falta de remédios não deixam de ser a antecipação da última respiração de um ser humano, criado à imagem e à semelhança de Deus, que busca o hospital à procura da vida, jamais para encontrar a morte. A decisão sobre quem deve ficar e quem deve partir não pode caber, por ação ou por omissão, a nenhum outro ser humano, também mortal, e que acredita ser, unicamente, do Criador, a definição do nosso tempo de passagem por esta vida.

Lembremos, também, da dor de uma mãe, que entrega seu próprio filho aos braços de um profissional de saúde, na esperança de que ele volte, o mais rápido possível, aos seus. O divisor entre a vida e a morte não pode se constituir como numa mera loteria.

A ciência que vale é a que se coloca à disposição da vida. Quando ela falta, rompe-se o último  fio de esperança. Estamos unindo esforços na busca de soluções e saídas para evitar que novos colapsos de abastecimento de insumos, medicamentos e oxigênio aconteçam. Já contabilizamos mais de 360 mil mortos e só deixaremos de ser o epicentro da pandemia por meio do real avanço da vacinação em massa. Enquanto isso não ocorre, precisamos urgentemente regularizar o abastecimento das medicações necessárias para o atendimento célere da população.

Embora alguns acordos de importação já estejam em curso, há pendências internacionais que precisam ser superadas para que a reposição desses estoques, que é urgente, aconteça. Para tanto, solicitamos a sua valorosa ajuda, em nome de todas as pessoas que estão lutando pela vida nos leitos dos hospitais, para que interceda junto às empresas e laboratórios nacionais e internacionais no sentido de viabilizar que os insumos sejam prontamente distribuídos aos
estados brasileiros.

Certas de que podemos contar com a sua sensibilidade e presteza, agradecemos a atenção dispensada a este importante pleito.

Atenciosamente,

Bancada Feminina do Senado Federal

Senadora DANIELLA RIBEIRO Senadora ELIZIANE GAMA

Senadora KÁTIA ABREU Senadora LEILA BARROS

Senadora MAILZA GOMES Senadora MARA GABRILLI

Senadora MARIA DO CARMO Senadora NILDA GONDIM

Senadora ROSE DE FREITAS Senadora SIMONE TEBET

Senadora SORAYA THRONICKE Senadora ZENAIDE MAIA

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