Autores da denúncia pedem condenação de Witzel por crime de responsabilidade

Alegações finais foram entregues um dia após interrogatório de Witzel no processo de impeachment contra ele

Por: Maria de Toledo Leite | 09 abril - 16:43

Nesta quinta-feira (8), os deputados estaduais Luiz Paulo e Lucinha sugeriram que o governador afastado do Rio fosse condenado por crimes de responsabilidade. Os deputados entregaram as alegações finais do processo de impeachment de Witzel um dia depois da audiência mais recente de intrução, o prazo máximo para a entrega.

A partir disso, a defesa do governador tem 10 dias para apresentar suas alegações finais.

Witzel de frente para a câmera, de terno e boca um pouco aberta, como se estivesse falando

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O caso da Unir Saúde e do labas, nos quais Witzel está envolvido, são os mais “emblemáticos” para pedir condenação, segundo Luiz Paulo. No primeiro, o governador foi contra suas secretarias e requalificou o funcionamento da Unir Saúde.

Já no segundo caso, Witzel decidiu e anunciou a construção de sete hospitais de campanha para o combate à pandemia, o que custou cerca de R$ 850 milhões. Porém, das sete unidades prometidas, apenas uma, a do Maracanã, funcionou e, mesmo assim, de forma precária. Diante desses dois acontecimentos, Luiz Paulo afirmou que “fica constatado o crime de responsabilidade”.

Na quarta-feira (7), o governador afastado foi interrogado sobre o processo de impeachment e o ex-secretário estadual da Saúde, Edmar Santos, prestou depoimento no qual afirmou ter alertado Witzel sobre reabilitar a Unir Saúde, já que ela estava impedida de fazer quaisquer negócios como governo do estado, o que acabou sendo um dos argumentos para o pedido de impeachment de Witzel.

O governoador, porém, negou as afirmações de Santos. Durante seu interrogatório, Witzel chorou e acusou o ex-secretário de ter recebido propina.

Processo de impeachment de Witzel

O governador afastado foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de estar envolvido em desvios de recursos na área da saúde do Rio de Janeiro durante o combate à pandemia.

A suspeita é que o governador tenha recebido, por meio do escritório de advocacia de sua esposa, Helena Witzel, pelo menos R$ 554,2 mil em propina. Foi descoberta uma transferência de R$ 74 mil de Helena Witzel para a conta pessoal do governador.

Desde o início, Witzel nega ter feito qualquer uma dessas coisas. Ele está afastado do cargo de governador desde agosto de 2020 por um outro processo, que deu origem ao pedido de impeachment.

A descoberta do crime começou após a apuração de insconstâncias na contratação dos hospitais de campanha, medicamentos e respiradores para o combate à pandemia do coronavírus.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o governo do RJ participou de um esquema de propina para contratações emergencias e a liberação de pagamentos para organizações sociais que prestavam serviços a eles.

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