Após apoio a um novo AI-5, Eduardo Bolsonaro descarta ditadura ‘porque o poder já está em nossas mãos’

O deputado foi denunciado pela fala antidemocrática e relator do caso pediu arquivamento do processo

Por: Marina Ponchio Gomes Ferreira | 05 abril - 16:09

Nesta segunda-feira (5) o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse ao Conselho Nacional de Ética da Câmara que não considera a possibilidade de uma ditadura no país porque “o poder já está em nossas mãos”. A fala foi referente ao seu mandato de deputado e cargo de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

O deputado foi denunciado por sugerir a implantação de um novo AI-5 no país, e voltou no assunto para se defender do processo de quebra de decoro parlamentar.

Deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) faz sinal de 'jóia' em sessão da Câmara

Deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP); Foto: Agência Brasil/Divulgação

No início do dia de hoje, o relator do caso, Igor Timo (PODE-MG), sugeriu que o processo fosse arquivado, mas a sessão foi suspensa após o pedido. 

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Eduardo declarou que: “Já sendo eleito presidente da República, o menos interessado em que o país vire um ditadura é o próprio presidente Jair Bolsonaro. Em igual conta, eu também, o deputado federal mais votado da história do país. E muitos dizem aí que eu deveria ser cassado, uma total violação do nosso sistema representativo. Sou o menos interessado também em qualquer tipo de ditadura, porque o poder já está em nossas mãos.” 

A denúncia pela fala do deputado aconteceu em 2019, em uma entrevista para um canal no YouTube, onde Eduardo Bolsonaro afirmou que o Brasil viraria um “final dos anos 60, quando sequestraram aeronaves”,e “executavam-se e sequestravam-se grandes autoridades”. Segundo ele “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E a resposta, ela pode ser um novo AI-5 […] Alguma resposta vai ter que ser dada.” 

Nesta segunda, o deputado disse que não teria “poder” para realizar ação e implantar um novo AI-5, além de alegar ser injustiçado no processo. Igor Timo não considerou o caso como quebra de decoro parlamentar. 

O que foi o AI-5?

O Ato Institucional nº 5, popularmente conhecido como AI-5, foi um decreto emitido pela Ditadura Militar durante o governo de Artur Costa e Silva. O AI-5 é interpretado como o estopim para a era mais sombria da ditadura no Brasil.

Com ele foi decretado o fechamento do Congresso Nacional, autorizou o presidente a decretar Estado de Sítio por tempo indeterminado, era possível demitir pessoas do serviço público, cassar mandatos, confiscar bens privados e intervir em todos os estados e municípios. Além disso, o período foi marcado pela censura aos meios de comunicação e a tortura como prática dos agentes do governo. 

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