Rússia anuncia retirada de tropas da fronteira com a Ucrânia

A presença dos militares russos na fronteira alimentou tensões com países do Ocidente nas últimas semanas

Por: Marina Ponchio Gomes Ferreira | 22 abril - 15:09

O governo russo anunciou que a partir de sexta-feira (23) irá começar a retirar suas tropas nas proximidades da fronteira com a Ucrânia e na Crimeia, suspendendo as tensões militares que provocaram grande preocupação da comunidade internacional. 

As dezenas de milhares de soldados perto da Ucrânia – país que luta contra separatistas pró-russos no leste – alimentou tensões e críticas à Rússia com os países do Ocidente, principalmente com a União Europeia. 

presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin

Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, elogiou a retirada das tropas de Vladimir Putin que já estavam reunidas perto de seu país, uma vez que, “leva a uma redução proporcional da tensão”. O líder afirmou anteriormente ter medo de uma ‘invasão’ russa. Moscou afirma que não ameaça ninguém e denuncia provocações ucranianas e as atividades ‘ameaçadoras’ da Otan em suas fronteira”. 

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O conflito continua

Apesar da retirada das tropas e consequentemente a redução das tensões, o conflito entre as nações continua, e deixa dezenas de mortos desde janeiro. Antes do anúncio, militares ucranianos perto da cidade de Pisky expressaram suas dúvidas de que o conflito pudesse ser resolvido com o diálogo, “é um beco sem saída, ninguém quer resolver o conflito pela via diplomática, mas também não quer guerra”, disse o militar Kirilo, de 35 anos. 

O conflito no leste da Ucrânia deixou mais de 14 mil mortos desde 2014.

Na terça-feira (20) o presidente ucraniano, convidou o líder russo, Vladimir Putin, para uma reunião do front. Até agora, a Rússia não respondeu ao convite. 

Tensões com o Ocidente

Na quarta-feira (21) o presidente Russo, Vladimir Putin alertou o ocidente a não “cruzar linhas vermelhas” do país, afirmando que Moscou responderá de modo “assimétrico, rápido e duro” a quaisquer provações que considere descabidas. A ameaça acontece após um momento de tensão com o Ocidente, especialmente com os EUA, que aplicou sanções para o país na semana passada.

Em uma fala de 83 minutos, às Câmaras do Parlamento, em que buscou projetar força e resistência diante da hostilidade internacional, Putin afirmou: “Os responsáveis por quaisquer provocações contra nossos interesses de segurança vão se arrepender como há muito não se arrependem”.

O discurso de Putin aconteceu em um momento de troca de farpas entre a Rússia e os países ocidentais. As tensões aumentaram nos últimos meses por uma série de temas, incluindo a recente concentração de tropas da Rússia na fronteira com a Ucrânia.

Na quinta-feira (15) o governo dos Estados Unidos anunciou sanções políticas e financeiras contra a Rússia. Entre elas, está a expulsão de 10 diplomatas do país. A decisão é uma resposta aos ataques cibernéticos e à interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas em 2020.

Em resposta, no dia 16, Putin solicitou a retirada de 10 diplomatas americanos do país. Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, afirmou em nota que “é a hora de os Estados Unidos demonstrarem bom senso e virar as costas para um rumo de confronto”. Lavrov também alertou que, caso contrário, “uma série de decisões dolorosas para o lado americano serão implementadas”.

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