Relatório do governo dos EUA critica a situação de direitos humanos durante o governo de Bolsonaro

São destacadas ameaças à liberdade de imprensa, violência policial e indígenas desprotegidos contra a Covid-19

Por: Maria de Toledo Leite | 31 março - 20:28

Em seu relatório de 2020 sobre Direitos Humanos, divulgado pelo Departamento de Estado nesta terça-feira (30), o governo norte-americano fez uma série de críticas ao Brasil.

O documento destacou ataques à liberdade de imprensa feitos pelo presidente Jair Bolsonaro, a suposta falha de seu governo na proteção de indígenas durante a pandemia e mencionou a violência polícial que atinge principalmente pessoas negras.

Povo indígena carregando materiais de madeira

Jogos Mundiais dos Povos Indígenas

Em relação às ameaças ao trabalho de jornalistas, foi evidenciado o alto número de vezes que Bolsonaro criticou a imprensa. Só no primeiro semestre de 2020, o presidente fez 53 críticas, pessoalmente ou por redes sociais. O relatório também menciona o ataque verbal ao repórter do jornal “O Globo”, quando Bolsonaro disse que tinha vontade “de encher sua boca de porrada”, em agosto do ano passado.

Outro ponto que ganhou destaque foi o fato de, durante a pandemia, jornalistas serem alvos de grupos de pessoas sem máscaras que se aproximam para insultar os profissionais, incluindo episódios em frente ao Palácio da Alvorada, que acabou fazendo vários veículos importantes de notícias interromperem a cobertura diária do local.

Ataques físicos aos profissionais também foram mencionados no documento.

Dois jornalistas são agredidos durante manifestações pró-Bolsonaro

Sobre o descuido em relação às populações indígenas, foram destacadas denúncias sobre invasões feitas frequentemente à territórios indígenas para a prática de atividades econômicas ilegais, o que contribuiu para a exposição desses povos ao coronavírus. O documento também mencionou reclamações de povos indígenas sobre a demora para demarcar seus territórios.

Um exemplo citado pelo Departamento do Estado dos EUA é a existência de 20 mil garimpeiros na Terra Indídena Yanomami. Desde julho do ano passado, diversas decisões judiciais determinaram que esses invasores deveriam ser teriados do lugar, mas isso ainda não aconteceu.

Também foram apontadas situações de abuso e violência causadas por policias e sua frequência no país. Para ressaltar isso, o documento alega que as autoridades civis não têm controle total sobre as forças de segurança.

O relatório usou dados do Fórum de Segurança Pública e afirmou que mais de 5.000 decivis foram mortos por policiais no ano de 2019. 30% dessas mortes ocorreu no Rio de Janeiro, estado com 8% da população brasileira.

Ainda são mencionados casos específicos dessa violência, como a morte de João Pedro Matos Pinto, que tinha apenas 14 anos de idade e foi morto com tiros nas costas, disparados por policiais durante uma operação em comunidade no Rio de Janeiro.

O documento aponta que, 75% das vítimas são negras.

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