Putin ameaça Ocidente com ‘respostas duras’ caso ‘linhas vermelhas’ russas sejam ultrapassadas

O presidente russo disse ainda que os responsáveis por qualquer 'provocação' vão 'se arrepender como há muito tempo não se arrependem'

Por: Marina Ponchio Gomes Ferreira | 21 abril - 12:26

Nesta quarta-feira (21) o presidente Russo, Vladimir Putin alertou o ocidente a não “cruzar linhas vermelhas” do país, afirmando que Moscou responderá de modo “assimétrico, rápido e duro” a quaisquer provações que considere descabidas. A ameaça acontece após um momento de tensão com o Ocidente, especialmente com os EUA, que aplicou sanções para o país na semana passada. 

Em um paralelo com o discurso de Putin, ao menos 199 pessoas foram presas durante manifestação em apoio a Alexei Navalny, opositor do líder russo. Os protestos foram feitos diante da piora no caso clínico de Alexei, que foi transferido para o hospital na segunda-feira (19) após passar três semanas em greve de fome na prisão. 

presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin

Foto: Marcos Corrêa/PR

Em uma fila de 83 minutos, às Câmaras do Parlamento, em que buscou projetar força e resistência diante da hostilidade internacional, Putin afirmou: “Os responsáveis por quaisquer provocações contra nossos interesses de segurança vão se arrepender como há muito não se arrependem”. 

Segundo ele, a Rússia prefere o diálogo e não quer quebrar as pontes construídas, mas não terá medo de responder caso perceba ataques. Ele disse ainda que Moscou determinará caso a caso. 

Putin não citou o nome de nenhum país, mas se trata de uma resposta à intensificação dos enfrentamentos entre Moscou e o Ocidente diante do aumento da presença militar russa perto da fronteira com a Ucrânia e na península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

“Se alguém confundir nossas boas intenções com indiferença ou fraqueza, e tiver por pretensão destruir ou até explodir pontes, eles devem saber que a resposta russa será assimétrica, rápida e dura”, afirmou, fazendo uma referência a um livro do escritor Rudyard Kipling, comprando a Rússia a um tigre cercado de hienas.   

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Tensão com o Ocidente 

O discurso de Putin aconteceu em um momento de troca de farpas entre a Rússia e os países ocidentais. As tensões aumentaram nos últimos meses por uma série de temas, incluindo a recente concentração de tropas da Rússia na fronteira com a Ucrânia.

Na quinta-feira (15) o governo dos Estados Unidos anunciou sanções políticas e financeiras contra a Rússia. Entre elas, está a expulsão de 10 diplomatas do país. A decisão é uma resposta aos ataques cibernéticos e à interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas em 2020.

As medidas incluíram sanções a seis empresas da Rússia que prestam apoio a atividades cibernéticas do país, além de sanções a 32 indivíduos e entidades acusadas de tentar inserir na eleição em que Biden foi vencedor, inclusive espalhando fake news para os eleitores. Segundo a Casa Branca, os 10 diplomatas expulsos incluem representantes dos serviços de inteligência russos.  

De acordo com o jornal Wall Street, as expulsões devem-se também às acusações, negadas por Vladimir Putin, de que Moscou ofereceu pagamento a insurgentes no Afeganistão para que matassem militares americanos no país. 

Em resposta, no dia 16, Putin solicitou a retirada de 10 diplomatas americanos do país. Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, afirmou em nota que “é a hora de os Estados Unidos demonstrarem bom senso e virar as costas para um rumo de confronto”. Lavrov também alertou que, caso contrário, “uma série de decisões dolorosas para o lado americano serão implementadas”.

Segundo o presidente russo, a pressão sobre Moscou se tornou uma “nova forma de esporte”.

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