Jornalista é condenada por investigar base de dados públicos em Hong Kong

A condenação acontece em uma ocasião em que a liberdade de imprensa, é considerada por muitos que esteja ameaçada

Por: Sophia Bernardes | 22 abril - 13:33

Nesta quinta-feira (22), a jornalista Bao Choy, do RTHK – grupo audiovisual independente financiado pelo governo de Hong Kong – foi condenada por investigar em uma base de dados públicos os supostos autores de um ataque contra ativistas pró-democracia realizado por apoiadores do governo.

A condenação acontece em uma ocasião em que a liberdade de imprensa, é considerada por muitos que esteja ameaçada, em meio a uma ofensiva contra a oposição após o grande desafio do movimento pró-democracia de 2019.

Bao Cho, 37 anos foi condenada por um tribunal por fazer “uma declaração falsa deliberadamente”, para conseguir acessar os registros de placas de automóveis.

A jornalista encara uma pena de prisão de seis meses e uma multa de 5.000 dólares de Hong Kong – 530 euros ou quase 640 dólares americanos.

Membros do sindicado do grupo de audiovisual que Bao pertence, e seus colegas se manifestaram em frente ao tribunal, erguendo cartazes que diziam: “o jornalismo não é um crime” e “quem quer que a população se mantenha na ignorância?”.

“Apesar de ter sido declarada culpada, continuo acreditando que o jornalismo não é um crime e que investigar um arquivo não é um crime”, garantiu Bao aos seus colegas.

“A população não tem o direito de obter qualquer documento sob esta legislação”, afirmou a juíza Ivy Chui.

A instigação da jornalista ocorreu no ano passado para coletar elementos para um documentário do RTHK, “Who Owns The Truth?” (“quem é o dono da verdade?”), que retrata o ataque realizado em julho de 2019 contra manifestantes pró-democracia por homens armados com tacos de beisebol.

Para a reconstrução dos fatos, o RTHK coletou depoimentos, investigou placas de veículos e assistiu a vídeos de testemunhas e câmeras de vigilância. Isso permitiu obter informação sobre os supostos agressores, alguns dos quais mantêm vínculos com comitês políticos pró-Pequim.

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