Entenda os fatores que aceleraram a campanha de vacinação contra a covid nos EUA

O país saltou de cerca de 300 mil pessoas imunizadas por dia em janeiro, para mais de 3 milhões atualmente

Por: Caroline Ripani | 20 abril - 20:31

De acordo com dados divulgados em 17 de abril, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), os Estados Unidos já aplicaram ao menos uma dose de vacina contra covid-19 em 130 milhões de adultos norte-americanos, o equivalente a 50,4% da população acima de 18 anos.

O país também bateu recentemente um novo recorde de vacinação contra o vírus. Em 11 de abril os EUA conseguiram imunizar mais de 4,6 milhões de cidadãos em 24 horas, ultrapassando a marca de 3 milhões de doses administradas pelo país por dois dias consecutivos no final de março. 

Seringa e vacina contra a covid em primeiro plano com bandeira dos EUA ao fundo

Foto: Reprodução/Getty Images

Ao comparar o ritmo diário de vacinação registrado pelos Estados Unidos em março, com a média móvel de pessoas imunizadas por dia no Brasil durante o mesmo mês, nota-se uma lentidão quase quatro vezes maior na campanha brasileira. Segundo informações do portal Our World In Data, em 2 de abril o Brasil distribuiu 0,24 doses a cada 100 habitantes, já o país norte americano registrou uma taxa de 0,89 no mesmo dia. 

Ainda em comparação com o Brasil, que no 40° dia de vacinação, aplicou 223.000 doses em 24 horas, os Estados Unidos, também quarenta dias após o início da campanha de imunização no país, chegou a administrar 1 milhão de doses diárias de vacinas anti-covid.

A seguir, confira os fatores que contribuíram para os Estados Unidos conseguirem acelerar a campanha de vacinação contra o novo coronavírus no país. 

Acordos de produção e compra de vacinas

O fator que pode ser considerado o principal responsável por agilizar a imunização nos EUA tem origem ainda no governo do ex-presidente Donald Trump.

Enquanto no poder, Trump anunciou a Operação Warp Speed, que consistia em entregar 10 bilhões de dólares (57 bilhões de reais) para empresas farmacêuticas desenvolverem imunizantes que ainda estavam em fase de testes, com o intuito de reduzir o tempo de produção e distribuição, caso fossem eficazes. Mesmo sem a garantia de que as vacinas funcionariam, o ex-presidente travou pré-acordos de compra de milhões de doses.

Em julho de 2020, o governo norte-americano comunicou ter feito um acordo de 1,95 bilhão de dólares com a Pfizer/BioNTech para a compra de 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pelas empresas. Entretanto, foi o imunizante da Moderna, que recebeu maior investimento. Foram disponibilizados cerca de 955 milhões de dólares para o desenvolvimento e, mais 1,5 bilhão destinados à fabricação e distribuição de 100 milhões de doses. 

O governo dos EUA também financiou em 450 milhões de dólares o desenvolvimento de vacinas da Johnson & Johnson, e em um bilhão a produção e distribuição. Em troca, a empresa deveria fornecer 100 milhões de doses ao país.

Para a farmacêutica AstraZeneca em conjunto com a Universidade de Oxford, foi entregue uma quantia de 1,2 bilhão de dólares para a pesquisa e produção de 300 milhões de doses da vacina.

Ainda foi concedido 2 milhões de dólares para a Sanofi-GSK e 1,6 bilhão para a empresa Novavax.

Em dezembro do ano passado, a vacina da Pfizer/BioNTech teve seu uso aprovado no país. Ainda no mesmo mês, foi a vez Moderna receber sinal verde para a aplicação de doses.  

Já em fevereiro de 2021, os Estados Unidos autorizaram o uso emergencial do imunizante produzido pela Johnson & Johnson. Poucos meses depois, o uso da mesma foi suspenso no país após casos raros de coágulos sanguíneos serem relatados em pessoas imunizadas. Entretanto, a aplicação com a vacina da J&J deve ser retomada em breve, segundo informações do consultor médico da Casa Branca, Anthony Fauci.

Os EUA ainda aguardam aprovação da Food and Drug Administration (FDA), para começar a vacinar sua população com os imunizantes da AstraZeneca e da Novavax.

Em meio a vacinas já aprovadas, temporariamente suspensas ou aquelas que ainda aguardam autorização, a pressa dos Estados Unidos em incentivar financeiramente o processo de desenvolvimento de imunizantes contra a covid, fez com que as empresas se dedicassem quase 100% à abastecer o país.

Joe Biden e suas metas de vacinação

Embora o governo Trump tenha priorizado o desenvolvimento de vacinas o mais rápido possível, a primeira etapa de distribuição dos imunizantes ocorreu de forma lenta. Foi estabelecido pela administração do ex-presidente, a meta de terminar 2020 com 20 milhões de pessoas vacinadas, no entanto, o total registrado mal superou os 2,5 milhões.

Foi somente quando Joe Biden assumiu a presidência dos Estados Unidos, que, efetivamente, a aplicação de vacinas em cidadãos do país acelerou. 

Uma das promessas de Biden era aplicar 100 milhões de doses nos primeiros 100 dias de governo, meta que foi alcançada no 58° dia de seu mandato. Em 6 de abril, o presidente anunciou que o país havia distribuído 150 milhões de vacinas em seus primeiros 75 dias de administração. Até o fim do mês, Biden ainda espera atingir um total de 200 milhões de doses administradas nos EUA.

Como última etapa para expandir a campanha de imunização nos Estados Unidos, Joe Biden afirmou que todos os adultos do país teriam acesso à vacinas até 19 de abril. Dito e feito, na data estipulada pelo presidente os EUA ampliaram a vacinação contra covid para todos a partir de 16 anos

Com Biden no comando dos Estados Unidos, o país saltou de um total de 300 mil pessoas vacinadas por dia em janeiro, para mais de 3 milhões. Os números fazem com que os EUA liderem o ranking de imunização, sendo responsáveis por 23% de todas as vacinas aplicadas ao redor do mundo. 

Lei de Defesa da Produção

Na corrida pela vacina, Biden chegou até a invocar a Lei de Defesa da Produção, criada durante a Guerra da Coréia (1950 – 53). A lei garante ao presidente dos Estados Unidos o poder de obrigar empresas a aceitar e priorizar contratos necessários para a defesa nacional. 

A tática de invocar a lei chegou a ser utilizada também por Donald Trump, a fim de de forçar companhias – entre elas a General Motors (GM) – a fabricar respiradores usados em casos graves do novo coronavírus

No caso de Biden, a lei foi aplicada para que empresas forneçam insumos para a produção de máscaras, seringas e equipamentos de proteção médica.

União das rivais Merck e Johnson & Johnson

Em 2 de março, o governo dos Estados Unidos anunciou um acordo histórico entre a Johnson & Johnson e a rival Merck, para produzir a vacina de dose única da J & J.

A parceria foi firmada após autoridades americanas declararem que a Johnson & Johnson vinha enfrentando problemas inesperados de produção, tendo fabricado apenas 3,9 milhões de doses antes do uso emergencial da vacina ser autorizado nos EUA.

Estima-se que a participação da Merck – que no início deste ano suspendeu os planos de desenvolver uma vacina própria – dobre a capacidade de produção que a Johnson & Johnson teria sozinha. 

“Este é o tipo de colaboração entre empresas que vimos na Segunda Guerra Mundial”, chegou a comparar Biden. 

Como parte do acordo, a Merck deve usar duas de suas fábricas para produzir as doses da vacina criada pela Johnson & Johnson, garantindo suporte para que, até o final de junho, mais de 100 milhões de doses do imunizante sejam entregues ao governo norte-americano, como foi combinado. 

Facilidade para ser vacinado

Apesar dos Estados Unidos não ter um sistema de saúde público, como o SUS (Sistema Único de Saúde) no Brasil, a imunização no país acontece de forma gratuita. Basta apresentar um comprovante de residência para ser vacinado.

A imunização pode ser agendada por telefone ou online, e o cidadão pode escolher o dia, horário, local e até qual vacina deseja deseja receber, de acordo com a disponibilidade. 

Além disso, outro fator que torna mais ágil a campanha de vacinação nos EUA, é a quantidade de lugares disponibilizados para a aplicação de doses.

O governo norte-americano possui cerca de 30 centros de imunização em massa pelo país sob administração da Federal Emergency Management Agency (FEMA), além das unidades dirigidas por cada estado.

Também é possível receber a vacina contra o novo coronavírus em centros médicos, hospitais, escolas, farmácias, supermercados e até em estádios e arenas esportivas. 

Independência do vírus

Em 11 de março, exatamente um ano após a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarar a existência de uma pandemia global, Joe Biden se dirigiu aos norte-americanos, levando uma mensagem de esperança.

Segundo o presidente dos EUA, até o final de maio todos os adultos do país estarão vacinados, podendo voltar à normalidade a tempo de comemorar o Dia da Independência dos Estados Unidos, celebrado em 4 de julho.

“Se cumprirmos nossa parte, se fizermos isto juntos, até 4 de julho é muito provável que você e suas famílias e amigos possam se reunir no jardim de suas casas para um churrasco, para comemorar o Dia da Independência de uma maneira muito especial e começar a marcar nossa independência em relação a este vírus”, disse Biden. 

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