Entenda os conflitos entre Estados Unidos e Rússia e a influência deles na relação entre os países

A relação entre a Rússia e os Estados Unidos tem uma longa história

Por: Maria de Toledo Leite | 27 abril - 20:46

Recentemente, a relação entre os Estados Unidos e a Rússia tem sido motivo para diversas notícias, já que os dois líderes atuais, Joe Biden (EUA) e Vladimir Putin (Rússia), tem conversado e trocado comentários frequentemente. Mas por que isso é algo inédito?

O contato entre as duas nações nem sempre foi fácil. Os conflitos entre os dois países começaram em 1947, durante a chamada Guerra Fria. Nessa época, a Rússia ainda se chamava União Soviética (URSS) e era o polo oposto aos Estados Unidos durante a guerra, que aconteceu logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Foto: Reprodução/Pixabay

As duas nações eram rivais e polarizaram o mundo durante a Guerra Fria, por causa de suas diferentes ideologias. Cada superpotência tinha um ponto de vista político e organizava sua economia de maneiras distintas, sendo que os Estados Unidos defendiam o capitalismo e a democracia, enquanto a União Soviética era a favor do socialismo e de um Estado capaz de garantir as necessidades básicas da população.

Um dos pontos principais da Guerra Fria foi que os conflitos aconteciam em áreas mais periféricas do mundo. Ou seja, norte-americanos e soviéticos se envolviam em conflitos em locais como África, Ásia e América Latina. Exemplos disso são a intervenção dos Estados Unidos no Vietnã e a intervenção da União Soviética no Afeganistão.

No entanto, o que realmente diferencia as guerras “quentes” desta é que as superpotências nunca chegaram a se enfrentar em um conflito militar direto.

A Corrida espacial também foi muito marcante na guerra. Ela foi a disputa entre as duas nações, que manifestou-se também na área de tecnologia e, entre 1957 e 1975, concentrou-se na exploração do espaço. No dia 20 de julho de 1969, o astronauta norte-americano Neil Armstrong tornou-se o primeiro homem a pisar na Lua.

Crise dos mísseis

Esse foi o momento de maior tensão em toda a Guerra Fria e aconteceu em Cuba, 1962. O país havia passado por uma revolução e um tempo depois aliou-se com os soviéticos por causa dos embargos americanos. Em 1962, a URSS resolveu instalar uma base de mísseis em Cuba.

Os mísseis instalados em Cuba não representavam uma grande ameaça aos americanos, mas prejudicavam a imagem do presidente John F. Kennedy. Por isso, o governo dos Estados Unidos ameaçou os soviéticos de guerra, caso os mísseis não fossem retirados. Duas semanas depois, os soviéticos retiraram os mísseis de Cuba e, em troca, os americanos retiraram mísseis da Turquia.

Foto: Reprodução/Pixabay

Fim da Guerra Fria

A partir da década de 1970, a economia da União Soviética começou a entrar em uma crise causada pela falta de ações do governo soviético para economia do país, que já demonstrava estar em atraso tecnológico e econômico em relação às grandes potências mundiais. Com isso, os indicadores sociais do país começaram a cair.

O envolvimento do país na Guerra do Afeganistão e um acidente nuclear que aconteceu em Chernobyl, em 1986, contribuíram para o fim da URSS, já que acabaram causando ainda mais gastos a um país com uma economia bastante fragilizada.

Depois da Guerra Fria

Mas mesmo com o fim da guerra, sempre houve uma certa competição entre os países, e o clima entre as duas nações continuou um tanto conflituoso, desde que Putin assumiu a presidência da Federação da Rússia.

Após a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos, em 2008, junto com a eleição de Dmitri Medvedev na Rússia, houve esperança de que as relações entre ambos os países melhorassem. Em 2009, foi anunciado um recomeço entre os países, marcado por um simbólico carregamento de um botão “reset”, entre a secretária Hillary Clinton e o ministro Sergey Lavrov.

No entanto, as relações entre americanos e russos apenas pioraram. O primeiro indício disso foram os Protestos na Rússia, após as eleições legislativas na Rússia em 2016. Na época, os EUA faziam acusações sobre fraude eleitoral, enquanto Putin acusava Hillary Clinton de ter estimulado os protestos, para tentar mudar o regime russo.

Foto: Kremlin

A partir disso, a situação foi piorando por diversos fatores. Porém, dois motivos principais para isso foram a Crise Ucraniana e a Guerra Civil Síria.

Após o presidente da Ucrânia ter sido derrubado, a Rússia interveio militarmente e anexou a Crimeia, o que causou uma onda de protestos por parte dos Estados Unidos e da União Europeia. A forte tensão na Ucrânia, iniciada em 2014, foi descrita como o pior momento das relações EUA – Rússia desde do fim da Guerra Fria.

A Guerra Civil Síria é o grande foco de tensão entre americanos e russos, já que os países apoiam partes diferentes no conflito. A partir de 2015, com o início da intervenção russa na Guerra Civil Síria, as relações entre os dois países atingiram o seu ponto mais baixo desde 1991. As negociações entre eles tornaram-se cada vez mais duras. Os EUA chegaram a acusar a Rússia de cometer crimes de guerra, e a Rússia acusou os EUA de apoiarem grupos terroristas na Síria.

Um novo foco de tensão foi a suposta interferência da Rússia nas eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2016, que resultaram na vitória de Donald Trump. Em Dezembro de 2016, a CIA emitiu um relatório que confirma a influência de agentes russos nas eleições de 2016, para favorecer a vitória de Trump. O ex-presidente rejeita o documento, dizendo que tal acusação é ridícula.

Foto: Kremlin

Durante a presidência de Trump, os Estados Unidos se aproximaram da Rússia já que os dois líderes, Putin e Trump, tinham ideais em comum. Tal relação foi tão fortificada que um relatório revelado recentemente mostra tentativas russas de interferir na eleição de 2020 em favor de Trump, que a perdeu, tendo sido substituído por Biden. O documento gerou grandes repercussões, especialmente da parte do presidente atual dos Estados Unidos. Foi revelado, durante a entrevista para a ABC News, que Biden e Putin tiveram uma conversa telefônica em janeiro e o americano afirmou que daria uma resposta. “Ele vai pagar um preço”, disse Biden.

Recentemente, os líderes têm trocado comentários um tanto desagradáveis. No entanto, as nações procuram fazer negócios e manter a comunicação aberta. Em abril, Biden propôs em conversa por telefone com Putin, um encontro dos dois presidentes em um país neutro, com o objetivo de estabilizar as relações entre as potências rivais. Além disso, Biden pediu para que o líder russo diminuísse tensões, tendo expressado a preocupação da nação com a quantidade de militares russos na Crimeia e nas fronteiras da Ucrânia.

Alguns dias depois, os Estados Unidos anunciaram sanções políticas e financeiras contra a Rússia, incluindo a retirada de 10 diplomatas russos dos EUA, como resposta aos ataques cibernéticos e à interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas em 2020. O governo russo pediu, então, a saída de 10 diplomatas americanos do país.

Foto: DoD/Lisa Ferdinando

Neste domingo (25), o conselheiro do Kremlin, Yuri Ushakov, disse que o presidente dos EUA e o governador da Rússia, poderão se reunir em junho para discutir sobre os conflitos e a relação das nações.

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