Em encerramento da Cúpula do Clima, Biden diz que ação contra mudança climática fortalecerá economia

Segundo o presidente norte-americano o investimento na resiliência climática e infraestrutura trará novas oportunidades de emprego

Por: Marina Ponchio Gomes Ferreira | 23 abril - 15:38

Nesta sexta-feira (23) o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, encerrou a Cúpula de Líderes sobre o Clima com a mensagem de que o combate às mudanças climáticas permitirá a criação de novos empregos em todos os países, tanto na modernização da infraestrutura já existente quanto em setores que ainda nem foram pensados.  

Biden, responsável por organizar a cerimônia, afirmou que “a sessão de hoje [da cúpula] é sobre as oportunidades fornecidas pelo enfrentamento das mudanças climáticas. A oportunidade de criar milhões de empregos com bons salários ao redor do mundo, em setores inovadores”. 

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“Este encontro é o começo de um caminho que nos levará para Glasgow, ao encontro da ONU [Organização das Nações Unidas] sobre as mudanças climáticas, em novembro, onde tornamos esses compromissos reais e colocaremos nossas nações em um caminho de um futuro seguro e sustentável”, disse. 

O presidente norte-americano frisou ainda que todos os países que se comprometerem com esse ‘novo futuro’ terão que investir em inovação, uma vez que, não existe uma única tecnologia que, sozinha, possa responder a esses desafios. “Quando investimos na resiliência climática e em infraestrutura, criamos oportunidade para todos. Isso está no centro do plano de empregos que eu proponho para os EUA”, completou. 

Biden disse também estar animado com o apelo do presidente russo, Vladimir Putin, por esforços colaborativos na diminuição da emissão de dióxido de carbono para combater as mudanças climáticas, e que espera cooperar com a Rússia neste assunto.

Os primeiros-ministros do Canadá e do Japão também receberam elogios do presidente americano por terem se comprometido a reduzir em 45% as emissões de carbono até o ano de 2030. Líderes da Europa e da América do Sul também foram prestigiados pelas metas divulgadas.

No discurso de encerramento, Biden avaliou positivamente as propostas e compromissos compartilhados na Cúpula. Ele reafirmou ainda a meta dos Estados Unidos de reduzir em 50% as emissões de carbono, até 2030, que segundo ele, será alcançada a partir do investimento “nos trabalhadores americanos, nos empregos americanos, na infraestrutura americano e construindo uma economia mais forte e resiliente”.  

O Brasil na Cúpula do clima

Na quinta-feira (22), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que o Brasil se compromete a reduzir suas emissões de carbono em 40% e a eliminar o desmatamento ilegal até 2030.

Bolsonaro declarou na Cúpula de Líderes sobre o clima que “Somos um dos poucos países em desenvolvimento a adotar, e reafirmar, uma NDC transversal e abrangente, com metas absolutas de redução de emissões inclusive para 2025, de 37%, e de 40% até 2030″.

O secretário especial dos Estados Unidos, John Kerry, duvidou do discurso do presidente brasileiro. “Alguns dos comentários que o presidente Bolsonaro fez hoje me surpreenderam por seu – você sabe – e isso é muito bom, vai funcionar se essas coisas forem feitas. A questão é: eles vão cumprir? A questão é: como será feito e de que forma?”, indagou. 

O discurso de Bolsonaro também teve uma grande repercussão em todo o Congresso Nacional e entre especialistas, que apontaram a mudança de postura do presidente e disseram que as promessas não condizem com a atual política de meio ambiente adotada no país.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), disse que o discurso de Bolsonaro foi uma mistura de ousadia e contradição. Para ele, os compromissos assumidos pelo presidente em sua fala são “tão ousados quanto contraditórios como o que foi executado na política ambiental do país até aqui.”

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