Conheça a tradição muçulmana do Ramadã

O mês do Ramadã é sempre o nono no calendário islâmico e neste ano teve início no dia 13 de abril

Por: Marina Correa de Genaro | 25 abril - 14:25

O Ramadan ou Ramadão, é o nono mês do calendário Islã. No ano de 2021, ele teve início no dia 13 de abril e irá até 12 de maio. Durante este período, o povo muçulmano coloca em prática um ritual de jejum, conhecido como suam, considerado o quarto entre os cinco pilares do islamismo.

O Ramadã é um ritual obrigatório para os muçulmanos que atingem a puberdade. Para eles, este é um momento de extrema importância na vida dos jovens.

Oração fim do Ramadã

Foto: AFP

O ritual é praticado durante todos os dias do mês, começando na alvorada e terminando quando o sol se põe. Além de não poder ter relações sexuais, o crente é proibido de pensar em tais práticas, mantendo sua mente com o foco em Allah, suas orações e recordações.

Os muçulmanos fazem o jejum sem bebida, incluindo água, comida, e também não pode fumar.

De acordo com o vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), Ali Zoghbi, este é um momento de reflexão religiosa, caridade e devoção. “Neste período sagrado, o foco das pessoas muda, fica mais voltado para o espiritual do que para o material” explica Zoghbi.

“A caridade é multiplicada neste momento e também realizamos o jejum com a língua, ou seja, incentivamos as pessoas a não falarem mal umas das outras e a praticarem o perdão, a compaixão e a misericórdia” completa.

Para aquelas pessoas que quebram o ritual, seja comendo, bebendo ou tendo relações no período em questão, o Ramadã é anulado e o crente é obrigado a fazer jejum por 60 dias sequenciais.

Mas, em último caso, se a pessoa não tiver condições de cumprir o jejum, ela deve alimentar uma pessoa necessitada por dia de Ramadã.

Para a estudante, Bushra Nasser Shahin, o mês do Ramadã é muito esperado por todos de sua família. “Ficamos imensamente felizes com a chegada desse mês, pois costumamos felicitar os familiares e amigos pela chegada desse mês sagrado.” Diz Bushra.

“Buscamos estar reunidos em família por mais momentos, principalmente na quebra do jejum e para fazermos as orações conjuntamente”, completa a estudante.

Segundo a Agência de Notícias Brasil-Árabe, o Ramadã não é obrigatório quando a pessoa possui uma doença sem cura, ou é muito idosa, está menstruada, grávida ou passa por alguma enfermidade que a impeça de jejuar.

Nos últimos 10 dias, as pessoas tendem a aumentar a sua devoção, pois acredita-se que a revelação do Alcorão para Muhammad aconteceu nos últimos dias desse mês.

Após esse período, o Ramadã é encerrado por um celebração conhecida como Eid Al-Fitr, que pode ser traduzido como o festival de quebra de jejum. Nesse festival, são feitas celebrações que se estendem por três dias e em que há muita comida.

Esses três dias se tornam feriado em muitos países muçulmanos e neles é muito comum que as pessoas troquem presentes entre si.

Bushra diz que já presenciou alguns momentos em que brincadeiras de cunho preconceituoso e irônico foram feitas em relação a sua religião, mas que de um modo geral, ela lida tranquilamente com a sua cultura no Brasil.

Calendário islâmico

Como o calendário islâmico é do tipo lunar, o Ramadã não pode ser comemorado na mesma data todos os anos, podendo acontecer em praticamente todos os meses e estações, de acordo com a configuração dos anos. Mas, a sua duração vai de 29 a 30 dias, nunca sendo alterada.

O início é determinado por meio de cálculos ou da observação astronômica. O marco para o fim do oitavo mês do calendário islâmico, conhecido como Sha’aban, é o aparecimento da Lua crescente. No 20° dia desse mês, a Lua crescente é procurada no céu, e caso seja avistada, o Ramadã se inicia no dia seguinte.

Caso ela não seja vista e os cálculos não apontarem o seu início, o dia seguinte será o 30° dia do Sha’aban, e assim, o Ramadã se iniciará depois dele se encerrar. Esse procedimento também é utilizado para definir o fim do Ramadã e o início de Shawwal, o décimo mês do calendário.

Esse processo deve ser realizado com muita atenção, pois o aparecimento da Lua crescente é um fenômeno que acontece por aproximadamente 20 minutos.

O dia de um muçulmano durante o Ramadã inicia-se cedo, pois por volta das quatro horas da madrugada, acontece o Suhour, a primeira refeição do dia. “Os nossos principais rituais são o Sohour, onde costumamos comer tâmara, frutas e água, podendo variar de acordo com a preferência de casa pessoa. Além disso, intensificamos nossas orações, realizando o Salat Terawih, que é uma reza extra, além das cinco orações diárias já obrigatórias”, diz Bushra.

Ela completa dizendo que sua família busca intensificar a leitura e recitação do Alcorão, realizando boas ações, caridades e praticando o perdão.

Origem

O vocábulo Ramadã remete a palavra de origem árabe “ramida” que significa “ser ardente”, pois o jejum, ritual obrigatório desde 624, é realizado na época mais quente do ano.

Além de que, é um período onde a fé passa por um processo de renovação e os valores da vida em família e de fraternidade são profundamente vividos. Durante o Ramadã, o crente se aproxima mais dos valores sacros, lê com maior ênfase o Alcorão e torna mais frequentes as visitas à mesquitas.

Nesse mês, foi revelado o livro sagrado, Alcorão, quando, segundo o livro e a tradição, o anjo Gabriel apareceu ao profeta Muhammad em uma caverna, na Arábia Saudita, por volta do ano 610 d.C.

Durante essa revelação, Muhammad recitou um verso que pertencia à palavra de Allah, e esse acontecimento ficou conhecido como Noite do Destino. A partir desse momento, Muhammad passou a levar a mensagem de Allah “não existe nenhum deus além de Allah, e Muhammad é seu profeta”.

Esse acontecimento então, transformou o Ramadã em um mês muito importante para os muçulmanos, e por isso, nele ocorre o ritual do jejum, pois esse jejum é realizado em celebração à revelação da palavra de Allah.

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