Comissária da ONU alerta que Mianmar pode ser a próxima Síria

Desde o golpe de estado em 1º de fevereiro, mais de 700 pessoas foram mortas; ONU crítica repressão brutal

Por: Marina Ponchio Gomes Ferreira | 13 abril - 18:59

Nesta terça-feira (13) a alta comissária da ONU (Organização das Nações Unidas) para os direitos humanos, Michelle Bachelet, disse temer que Mianmar se afunde em um conflito como aconteceu na Síria e alertou sobre crimes contra humanidade cometidos pela junta militar contra os manifestantes. 

Em um comunicado, Bachelet afirmou: “Há ecos claros de 2011 na Síria. Lá também vimos manifestações pacíficas reprimidas com força desnecessária e completamente desproporcionais. A repressão brutal e persistente do Estado contra seu próprio povo levou algumas pessoas a pegarem armas, o que foi seguido de uma espiral de violência em todo o país.” 

Foto: Reprodução/ Twitter: Myanmar Now

“Temo que a situação de Mianmar se dirija para um conflito generalizado. Os Estados não devem permitir que os erros fatais cometidos na Síria e em outros lugares se repitam”, acrescentou. 

Desde 1º de fevereiro Mianmar vive em uma guerra civil, após o golpe de estado aplicado pelos militares, que derrubou a então líder civil do país Aung San Suu Kyi. De acordo com um balanço feito pela Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP), a repressão já deixou mais de 710 mortos, incluindo 50 crianças. E cerca de 3.000 pessoas foram detidas, incluindo jornalistas, artistas e influenciadores. 

“Os militares parecem determinados a intensificar sua impiedosa política de violência contra o povo birmanês usando armas potentes e de modo indiscriminado”, lamentou Bachelet. Ainda segundo a Comissária, 23 pessoas foram condenadas à morte em julgamentos sigilosos e outras 19 foram acusadas de terem cometido crimes políticos. 

Ontem (11) uma publicação no Facebook da União de Estudantes da Universidade de Bago confirmou que as Forças Armadas de Mianmar estão cobrando 120 mil kyat (cerca de R$ 483) para as famílias recuperarem os corpos de parentes mortos pelos militares em uma repressão contra os protestos pacíficos na sexta-feira (9). 

Ação internacional

No domingo (11), a Embaixada dos EUA em Mianmar pediu o fim da violência em sua conta nas redes sociais: “Lamentamos a perda sem sentido de vidas em Bago e em todo o país, onde as forças do regime supostamente usaram armas de guerra contra civis.” 

Em março, os Estados Unidos já haviam suspendido o comércio com Mianmar. Em nota, a representante do Comércio dos Estados Unidos, Katherine Tai, afirmou que a suspensão vai permanecer em vigor até o retorno do governo eleito democraticamente.

No dia primeiro de abril o Reino Unido impôs novas sanções contra o grupo empresarial Myanmar Economic Corporation (MEC) decorrente de seus vínculos com os militares, inclusive vínculos econômicos, uma vez que a empresa disponibiliza fundos para a cúpula militar do país. O ministro britânico de relações exteriores, Dominic Raab, classificou a situação no país como: “viola os direitos humanos e está matando inocentes, incluindo crianças” . 

Segundo o Global Light of Myanmar, o comandante chefe das forças armadas, general Min Aung Hlaing, defendeu o golpe durante o final de semana e alegou que a junta “não tomou o poder, mas tomou medidas para fortalecer o sistema democrático multipartidário”.

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