Choque com tropas deixa mais 11 manifestantes mortos em Mianmar

Mais de 600 civis já morreram desde que o golpe militar que aconteceu em 1º de fevereiro

Por: Marina Ponchio Gomes Ferreira | 08 abril - 17:54

Nesta quinta-feira (8) manifestantes contra o golpe militar em Mianmar reagiram com coquetéis molotov e armas caseiras a uma repressão de forças de seguranças em uma cidade no noroeste do país, pelo menos 11 pessoas foram mortas.

Segundo veículos de notícias locais, inicialmente foram enviados seis caminhões para reprimir os manifestantes na cidade de Taze. Quando os manifestantes reagiram e mostraram as armas caseiras, coquetel molotov e facas, mais cinco caminhões com tropas foram enviados para o local. 

Homenagem aos manifestantes mortos nos protestos  – Foto: Reprodução/ Twitter Myanmar Now

Ainda de acordo com a mídia, ao menos 11 manifestantes morreram e 20 tiveram ferimentos. Não há notícias se houve baixa entre os soldados. Com essas novas informações, o número de civis mortos pela junta militar que tomou o poder em 1º de fevereiro soma 598.

Taze fica perto da cidade de Kale, onde ao menos 12 pessoas foram mortas em um confronto semelhante na quarta-feira (7). A AAPP (Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos) afirmou que 2.847 pessoas estão detidas atualmente no país, mandados de prisão foram enviados a centenas de pessoas, e nesta semana os militares prenderam dezenas de artistas, músicos e influenciadores. 

O golpe militar

Os militares tomaram o poder alegando que as eleições que ocorreram em 8 de novembro, vencida por Aung San Suu Kyi (Liga Nacional Pela Democracia) foram fraudadas. Após o comitê eleitoral do país ignorar a denúncia, o exército tomou o poder. 

O golpe é um retorno ao regime militar, que sufocou o país por décadas até uma pequena brecha democrática acontecer em 2010. Os cidadãos do país estão tomando as ruas para defender seu sistema eleitoral com greves e manifestações pacíficas, os militares respondem com violência. O acesso a internet no país foi restrito e jornalistas foram presos e alguns jornais foram proibidos de publicar sobre o golpe. 

Ação internacional

No dia primeiro de abril o Reino Unido impôs novas sanções contra o grupo empresarial Myanmar Economic Corporation (MEC) decorrente de seus vínculos com os militares, inclusive vínculos econômicos, uma vez que a empresa disponibiliza fundos para a cúpula militar do país. O ministro britânico de relações exteriores, Dominic Raab, classificou a situação no país como: “viola os direitos humanos e está matando inocentes, incluindo crianças” . 

Em março, os Estados Unidos já haviam suspendido o comércio com Mianmar. Em nota, a representante do Comércio dos Estados Unidos, Katherine Tai, afirmou que a suspensão vai permanecer em vigor até o retorno do governo eleito democraticamente.

LEIA MAIS

Biden classifica violência com armas de fogo nos EUA como uma ‘epidemia’

China continental registra aumento nos casos de Covid-19

Confira os últimos acontecimentos no Estado de São Paulo: