Os impactos da pandemia no desemprego e o trabalho informal no Brasil

Entenda os principais índices de desemprego e como o trabalho informal também foi afetado pela pandemia

Por: Aline Bueno Silvestre | 20 abril - 17:01

Em 2020, a pandemia afetou diversos trabalhadores e funcionários. Foi um ano de recorde de desempregados, chegando a mais de 14 milhões de pessoas. 

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os desalentados são aqueles que desistiram de procurar emprego. Esse número representou em 2020 cerca de 5,5 milhões de pessoas.

A pandemia e o desemprego no brasil

Foto: Reprodução/Pixabay

O Instituto também registrou o menor número de trabalhadores com carteira assinada. Um dos grandes fatores para o aumento do desemprego foi as medidas de restrição adotadas durante a pandemia, para diminuir os casos.

Jair Bolsonaro (sem partido), presidente do Brasil, afirma que o desemprego “parte diretamente de quem pratica o lockdown”, criticando a medida de restrição da pandemia. Entenda.

Com apenas os comércios essenciais funcionando, como hospitais, supermercados e farmácias, muitos lugares tiveram que fechar escritórios e demitir funcionários, pois não funcionam no novo modelo adotado como home office.

Camila Fernandes era auxiliar numa loja de roupas, calçados e acessórios esportivos. Ela trabalhava num shopping outlet perto da capital paulista, onde ficou durante quatro meses. 

No entanto, junto com outros funcionários, Camila foi demitida dois dias depois de iniciar o lockdown na cidade. Segundo ela, não era uma situação esperada. “Eu sabia que tinha uma possibilidade, só não esperava que fosse tão cedo, porque quatro meses é pouquíssimo tempo. No fim, todos os que entraram junto comigo, também foram demitidos”, afirmou.

O desemprego afeta diretamente o bolso financeiro das pessoas. Segundo Camila, ela contava com o salário para diversos planejamentos futuros. “Eu contava com o dinheiro pra pagar meu curso, meu dentista e ajudava muito minha família com as despesas, principalmente com a comida (por conta do VA e VR), e também estava juntando dinheiro pra ir fazer faculdade fora do estado.”, disse.

O trabalho informal

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apurada pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), no trimestre até dezembro de 2020, o Brasil chegou a 39,5% na taxa de informalidade, com 34,029 milhões. 

Só em um trimestre, mais 2,391 milhões de brasileiros começaram a atuar no trabalho informal. No entanto, alguns também foram afetados pela pandemia.

Pequenos negócios geram quase 70% dos empregos formais em fevereiro

Amanda Bena, dona do estúdio de fotografia @studio_holly foi diretamente afetada pela pandemia. Ela costumava fotografar em eventos infantis também e conta que seu último foi em 15 de março de 2020. “Todos os eventos de março a setembro de 2020 foram remarcados para 2021. E novamente os de 2021 estão sendo remarcados.”, afirma.

Além disso, ela diz que desde 2016 o setor de fotografia ia muito bem. “Acho que por isso que me abalou tanto! O tanto de tempo que ficamos parados e todo impacto que teve. Mesmo nos meses de férias as coisas são um pouco mais fracas, nunca foi tão ruim assim.”

O auxílio emergencial conseguiu ajudar a Amanda, mas ainda sim a situação de ficar sem trabalhar foi difícil para ela. “É uma situação que eu nunca poderia imaginar estar passando. O auxílio emergencial deu uma leve ajuda, mas está tudo fora de lugar desde março.”

As empresas e o RH 

Como a pandemia afetou os empregos e as contratações, as empresas também foram atingidas. Livia Cordeiro é consultora de Recursos Humanos (RH) e gerente de pessoas e de comunicação. Na empresa que ela trabalha no setor de RH, ela diz que sentiu uma maior procura por emprego. 

“Percebo maior procura por vagas, pois houve muitas reduções de custos nas empresas, além de mudanças nas modalidades contratuais, reduções de jornada de trabalho, suspensões de contrato, etc.”, disse.

Ela também fala sobre as pretensões salariais. “Também percebi nos processos seletivos candidatos com pretensão salarial abaixo do que recebia anteriormente, por entender o contexto econômico do país frente à pandemia.”

Mas, ela analisa duas situações. “Vi muitos profissionais que foram demitidos devido a crise econômica e negócios que fecharam.  Em contrapartida, atendi empresas que estão faturando muito mais do que antes devido a pandemia, pois o mercado consumidor também sofreu alterações, muitos produtos e serviços estão tendo oportunidades de crescimento com a crise.”, afirma Livia.

79% dos brasileiros ainda esperam o aumento do desemprego. Assim, a pandemia afetou o trabalhador formal e os serviços não essenciais, e também aqueles que saíam de casa para trabalhar, ou mesmo tinham seu próprio negócio.

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