Japão sofre impacto econômico com adiamento das Olimpíadas 2020 devido pandemia

Adiamento dos jogos custará US$ 2,8 bilhões aos organizadores japoneses

Por: Marina Correa de Genaro | 09 abril - 14:16

Desde o início da crise global gerada pela Covid-19, o Comitê Olímpico Internacional (COI), juntamente com seus parceiros no Japão, permaneceram com um olhar atento sobre a pandemia.

Com isso, diante o agravamento da situação no mundo inteiro e as preocupações com a saúde e bem-estar de todos, no dia 24 de março de 2020, o ex-primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pediu ao COI o adiamento de um ano da Olimpíada de Tóquio, que estava programada para o dia 24 de julho de 2020.

Foto: COI

O evento de 16 dias, iria contar com a presença de 11 mil atletas de 206 nações e territórios, distribuídos em 33 esportes. O Comitê Organizador do Japão já tinha uma estimativa que as provas receberiam até cinco milhões de espectadores de todo o mundo.

E como toda decisão traz uma consequência, para o Japão elas serão enormes. O país asiático investiu 12,6 bilhões de dólares nos preparativos do evento, e desde então vem sofrendo com os impactos econômicos. De acordo com o Comitê Organizador, o custo adicional causado pelo adiamento, pode chegar a 294 bilhões de ienes, ou seja, US$ 2,8 bilhões.

Segundo os organizadores do evento, o comitê metropolitano de Tóquio deve pagar 120 bilhões de ienes, o Comitê Organizador 103 bilhões e o governo japonês 71 bilhões de ienes. O COI informou também que irá contribuir com 650 milhões de dólares para cobrir os custos do adiamento.

“Esses custos de Tóquio são os custos de Tóquio, a atribuição do COI é uma receita que podemos garantir e dentro dela, temos patrocínio adicional que solicitamos dos parceiros.” Disse o CEO da Tóquio 2020.

Outra medida que Tóquio está recorrendo é a um fundo de contingência, que é uma reserva para eventos incertos no futuro, no valor de 27 bilhões de ienes detalhados no orçamento do ano passado para cobrir esses custos adicionais.

Esta é a primeira vez que os Jogos Olímpicos são adiados. Em 1916, 1940 e 1944, a competição não foi realizada devido as duas Guerras Mundiais.

Contratos e patrocinadores

O adiamento do evento força a renegociação de inúmeros contratos, além de exigir custos extras como a manutenção das arenas e possíveis mudanças de locais de jogos. É prioridade máxima dos organizadores garantir as 43 instalações necessárias para a competição.

Há também o problema em relação à Vila dos Atletas. Foi planejado mais de 5.000 apartamentos para atender a uma necessidade habitacional de longo prazo na cidade após os jogos e muitos desses apartamentos receberiam os esportistas durante as Olimpíadas, porém já foram vendidos cerca de ¼.

Já em relação aos parceiros, o COI possui 14 parceiros mundiais e 67 parceiros domésticos do país, e todos estavam se preparando para fornecer bens e serviços vitais para garantir o andamento dos Jogos. As empresas privadas japonesas, que também patrocinam o evento, investiram 348 milhões de ienes, quase 3 bilhões de euros.

Ingressos

Foram disponibilizados 7,8 milhões de ingressos para os Jogos e tinha-se uma expectativa de um retorno financeiro no valor de US$ 1 bilhão. Com o adiamento, a cláusula dos ingressos pode fazer com que os organizadores sejam obrigados a devolverem o dinheiro aos compradores.

Funcionários

Outro problema financeiro se relaciona com os funcionários. Os organizadores terão de resolver o futuro de 3,5 mil pessoas que iriam trabalham como membros.

O Comitê Organizador Tóquio 2020 planejou uma força de trabalho de 150.000 funcionários, voluntários e contratados, a maior parte já recrutada, porém, com o adiamento, eles irão precisar se reorganizar com as novas datas e horários.

Turismo

O impacto econômico também agiu no turismo japonês. O setor já estava sendo afetado com o aumento da pandemia. Em fevereiro, o número de visitantes estrangeiros caiu 60% e com o adiamento da Olimpíada, os analistas estão prevendo um ano catastrófico para o setor de turismo.

Para o economista Takayuki Miyajima, muitos pequenos proprietários gastaram a maior parte do que ganharam, pois em 2020 eles estavam prevendo 34 milhões de turistas e os hotéis fizeram reformas caras para melhorar suas instalações antes da realização da Olimpíada.

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