1º dia de consulta da nova rodada do auxílio emergencial registra problemas

Centenas de entidades ligadas à Rede relataram problemas enfrentados por antigos beneficiários ao tentarem acessar a plataforma

Por: Sophia Bernardes | 03 abril - 10:12

No primeiro dia do aplicativo para as pessoas consultarem se estão na lista dos beneficiários da nova rodada do auxílio emergencial, o celular da diretora da Rede Brasileira de Renda Básica, Paola Carvalho, não parou com mensagens de pessoas em desespero que ficaram de fora da retomada do programa.

A diretora Paola Carvalho, desde o ano passado – quando o auxílio foi criado para socorrer os brasileiros em situação de vulnerabilidade pelo impacto da pandemia da covid-19 – se tornou um canal de diálogo no Brasil na busca de defesa jurídica para brasileiros que tinham direito ao auxílio e não conseguiam receber o benefício, muitos deles dados como mortos.

Aplicativo para receber o auxílio

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Na nova roda, até as pessoas que conseguiram o direito na Justiça para receber o auxílio de 2020 ficaram de foram do programa.

Paola recebeu mais de 600 mensagens diretas de pessoas num único dia confirmando o que a Rede, um movimento nacional que reúne entidades –  professores, pesquisadores, ativistas sociais e voluntários em defesa da renda básica no país – vinha alertando, a necessidade de um recadastramento para não deixar ninguém para trás que tenha direito ao novo auxílio, que varia entre R$ 150, R$ 250 e R$ 375.

Paola conta que as falhas já eram esperadas porque a dotação fixa de R$ 44 bilhões aprovada pelo Congresso para o pagamento do auxílio não é suficiente para bancar o pagamento para todos que se encaixam nas regras.

De acordo com a diretora, pessoas elegíveis ao auxílio pelas novas regras tiveram o benefício negado. Na primeira rodada do auxílio de R$ 600, cerca de 68 milhões de pessoas foram contempladas, quantidade que caiu para menos de 55 milhões na extensão para R$ 300. No novo programa, a previsão do governo é de atender 45,6 milhões de pessoas, até o momento foram processados 40,4 milhões.

Problemas identificados

A Rede realizou um levantamento dos oito principais problemas. São eles:

  1. O aplicativo do Caixa Tem não atualiza;
  2. Quem recebeu o benefício em 2020 por uma decisão judicial foi descartado;
  3. Algumas mães chefes de família que receberam a cota dobrada no ano passado (R$ 1,2 mil e depois R$ 600) vão receber apenas R$ 150 agora;
  4. O sistema da Dataprev não atualizou os dados para todos;
  5. Pessoas que não constam como canceladas em 2020, mas não receberam todas as parcelas em 2020, foram desclassificadas em 2021;
  6. Algumas pessoas tiveram o benefício negado por constar como tendo emprego formal, mas não estão trabalhando;
  7. Beneficiários do Bolsa Família tiveram negado o direito para o recebimento do auxílio em 2021;
  8. Pessoas que moram em família, mas vão receber apenas o valor de R$ 150, que, em tese, seria apenas para quem mora sozinho.

Na segunda-feira (5), a Rede vai encaminhar ofício ao Ministério da Cidadania apontando os problemas e cobrando solução.

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