Viúva de miliciano ligado a família Bolsonaro ganha direito a prisão domiciliar por ser mãe

A defesa informou à Justiça que a filha de 9 anos de Júlia estava em casa com uma pessoa sem qualquer vínculo familiar.

Por: Larissa Placca | 28 abril - 23:41

Após mais de um mês foragida, a viúva do miliciano Adriano da Nóbrega conseguiu regime de prisão domiciliar por ser mãe de uma criança menor de 12 anos.

O direito foi concedido por liminar nesta segunda-feira (26) pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Reynaldo da Fonseca.

Júlia Lotufo, a viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, acusada de comandar a lavagem de dinheiro

Júlia Lotufo, a viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, acusada de comandar a lavagem de dinheiro; Foto: Redes Sociais/Reprodução

O ministro Reynaldo da Fonseca determinou o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento de seu passaporte e a proibição de contato com outros investigados.

Júlia Lotufo estava foragida desde 22 de março, quando foi encontrada pela Operação Gárgula. Ela é acusada de comandar a lavagem de dinheiro dos bens do miliciano, Adriano da Nóbrega, morto há um ano numa operação policial na Bahia.

Ela já retornou para casa, após a decisão do STJ. A defesa, ao protocolar o pedido, informou à Justiça que a filha de 9 anos de Júlia estava em casa com uma pessoa sem qualquer vínculo familiar. O pai da menina, o policial militar Rodrigo Bittencourt, foi preso na mesma operação.

O pedido de suspensão da prisão preventiva foi negado pela 1ª Vara Criminal Especializada do Rio de Janeiro.

Fonseca tomou como base uma decisão recente do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o tema, em que é necessária a prisão domiciliar de mães com filhos menores de 12 anos.

Ligação do miliciano com a família Bolsonaro

O caso das “rachadinhas” mostrou que Márcia Aguiar, mulher de Queiroz e ex-assessora de Flávio, e Luiz Botto Maia, advogado do senador, viajaram para o interior de Minas Gerais se encontrar com Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano e também ex-funcionária do filho do presidente Jair Bolsonaro.

Trocas de mensagens no celular de Márcia indicam que o objetivo do encontro era estabelecer contato com Adriano, em fuga sob acusação de comandar a milícia. As mensagens indicam que Júlia Lotuffo também participou do encontro.

Entenda o caso:

Segundo denúncia do MPRJ, sob comando de Adriano, os nove denunciados praticaram crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro em favor do miliciano. O MP afirma que Adriano chefiava a milícia de Rio das Pedras e integrava o consórcio de matadores de aluguel.

MPRJ também afirma que Júlia Lotufo, viúva de Adriano, era responsável pela contabilidade e pela gestão financeira dos lucros das atividades criminosas, e também controlava os valores destinados para empréstimos.

Diálogos transcritos de grampos telefônicos sugerem que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi procurado por integrantes da rede de proteção do miliciano Adriano da Nóbrega. As informações foram divulgadas em reportagem de Sérgio Ramalho do The Intercept divulgada neste sábado (24).

Após a morte do chefe do “Escritório do Crime”, cúmplices de Adriano fizeram contato com uma pessoa chamando por: “Jair”, “HNI (PRESIDENTE)” e “cara da casa de vidro”. Leia a matéria completa.

*Com informações da Folha de S. Paulo.

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