Repórter da CNN foi alvo de racismo no clube Pinheiros

O caso ocorreu no mês passado, mas a denúncia foi exibida neste domingo

Por: Sophia Bernardes | 22 março - 11:53

O repórter da CNN Jairo Nascimento, contou à TV neste domingo (21), que ao realizar uma reportagem no clube Pinheiros, na zona oeste de São Paulo foi alvo de preconceito racial. De acordo com a CNN, a matéria que falaria sobre atletas olímpicos durante a pandemia da covid-19, foi cancelada e um boletim de ocorrência foi registrado. O caso ocorreu no mês passado, mas a denúncia foi exibida neste domingo.

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Foto do repórter Jairo Nascimento

Foto: Reprodução/Instagram

O presidente do clube Ivan Castaldi Filho, afirmou que está apurando todas as denúncias recebidas e que eventuais desvios de conduta serão corrigidos.

O repórter conta que, a equipe já estava identificada no clube pronta para dar inicio a gravação quando foi abordada por uma diretora, identificada por Ana Paula, que perguntou: “Quem é o repórter?”. “Eu sou repórter”, respondeu ele. A diretora do clube, de acordo com o jornalista, desconfiou dele. Além disso, ela e outro diretor, identificado por Fábio, questionaram a isenção e temiam reportagem tendenciosa.

A ocorrência foi levada para a direção da CNN Brasil, que estabeleceram o cancelamento da reportagem sobre a situação de atletas durante a pandemia da Covid-19.

Em um vídeo enviado para a UOL, Ivan Castaldi Filho, contou que trabalha diariamente para que todos tenham o mesmo tratamento. “O preconceito é um mal que afeta o mundo inteiro, uma doença que a sociedade deve erradicar urgentemente. Precisamos viver muito atentos para identificar atitudes e ações que possam ter um lado de discriminação. Sempre foi assim com o clube Pinheiros. Somos uma instituição inclusiva”, afirmou.

“A equipe de diretores do clube, especialmente os times de governantes e comunicação, trabalham todos os dias para garantir que no Pinheiros todas as pessoas tenham o mesmo tratamento, o mesmo cuidado e as mesmas oportunidades. Por isso apuramos todas as denúncias que recebemos e corrigimos na hora qualquer desvio de conduta”, acrescentou.

A emissora disse que lamenta o episódio, afirmou que discriminação racial é crime e que “infelizmente esse crime ainda está acontecendo”, a CNN ainda destaca que o caso é exibido no Dia Internacional de Combate ao Racismo.

Histórico de denúncias no clube

O clube Pinheiros já esteve envolvido em outros casos de preconceito, em agosto do ano passado, foi realizada uma matéria pela UOL, em que mostrou que uma auditoria interna do Pinheiros encontrou inúmeros relatos de assédio moral e de racismo dentro da ginástica artística do clube.

A auditoria destacou relatos de racismo e maus tratos em dois casos que marcaram a ginástica artística do Pinheiros. A família de Jackelyne Silva, ginasta de 17 anos que morreu por infecção decorrente de pneumonia após ser demitida do clube, conta que a garota sofria abusos morais. “Ela era ignorada, não a assistiam, não a treinavam, não falavam com ela, apenas para chamar atenção ou penalizá-la”, destacou um relato feito à auditoria.

O segundo caso explorado pela auditoria é o caso de racismo contra o ginasta Ângelo Assumpção, em 2015. Na época, um vídeo gravado em tom de brincadeira por integrantes da seleção brasileira tinha falas racistas contra o ginasta. Após o ocorrido, todos que participaram do episódio gravaram um vídeo dizendo que estava tudo bem entre eles, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) suspendeu Arthur Nory de forma que ele não perdesse a Olimpíada, e tudo pareceu resolvido.

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