Esposa de ex-senador, envolvida no caso da vacinação clandestina em BH, defende que ‘não furou a fila do SUS’

O exame laboratorial, feito pela advogada, indicou que ela não está imunizada contra a covid-19. 

Por: Larissa Placca | 20 abril - 22:57

A advogada Gisa Andrade, mulher do ex-senador e empresário Clésio Andrade, confirmou à Polícia Federal (PF) que pagou R$ 3.600 para que ela, uma afilhada e mais quatro irmãos de Clésio fossem vacinados contra covid-19 em Minas Gerais.

Ela foi questionada nesta terça-feira (20) no caso da suposta vacinação clandestina em Belo Horizonte. A advogada confirmou que esteve na garagem onde ocorreu a vacinação e foi a responsável pelo pagamento.

O ex-senador e empresário Clésio Andrade em sessão plenária;

O ex-senador e empresário Clésio Andrade em sessão plenária; Foto: Agência Senado/Divulgação

Em sua defesa, Gisa disse que buscou o imunizante por esse meio, por ser portadora de doença crônica e por acreditar que a Constituição lhe dá o direito de buscar a preservação de sua vida e saúde, uma vez que, pelo cronograma do SUS ela demoraria para ser vacinada.

Para ela, isso não foi ‘furar a fila do SUS’ (Sistema Único de Saúde), pois acreditou estar recebendo o imunizante da Pfizer, que não é oferecido no Brasil.

O exame laboratorial, feito pela advogada, indicou que ela não está imunizada contra a covid-19.

Relembre o Caso da vacinação clandestina em BH:

Em Minas Gerais (BH), um grupo de políticos e empresários tomou nesta terça-feira (23), a primeira dose da vacina da Pfizer contra a Covid-19.

O grupo comprou o imunizante por iniciativa própria e não repassaram metade ao SUS (Sistema Único de Saúde). Leia a matéria completa.

O ex-senador Clésio Andrade, afirmou ter sido um dos vacinados, conversando com uma fonte do Jornal Folha de SP. “Estou com 69 anos, minha vacinação [pelo SUS] seria na semana que vem, eu nem precisava, mas tomei. Fui convidado, foi gratuito para mim”, disse.

Marcelo Martins de Araújo, dono de um haras na Região Metropolitana de Belo Horizonte deu depoimento à PF após ser indicado como a pessoa que recomendou os serviços de vacinação da falsa enfermeira, Cláudia Mônica Pinheiro, para empresários da capital. Leia a matéria completa aqui.

No dia 17 de março, a falsa enfermeira aparece no vídeo vestindo jaleco, levando duas sacolas que, de acordo com os investigadores, guardavam o suposto imunizante contra a Covid.

De acordo com a PF, Cláudia Pinheiro teria vacinado moradores de pelo menos três apartamentos e cobrou R$ 600 pelas duas doses. Há registros de Cláudia no prédio também nos dias 5 e 22 de março.

Segundo a defesa de Marcelo, ele admite ter comprado de Cláudia o que “acreditava ser vacinas contra a Covid da Pfizer regularmente importadas”. Marcelo confirmou ter conversado com Rômulo Lessa, dono da empresa de transporte Saritur. Rômulo confessou ter promovido vacinação clandestina em uma de suas garagens de ônibus.

O que diz a defesa da falsa enfermeira

Em nota, a defesa de Cláudia Torres, informou que não vai se pronunciar enquanto não tiver acesso aos depoimentos de testemunhas e demais documentos a serem juntados da Polícia Federal.

Como está a investigação do Caso da vacinação clandestina em BH:

A Polícia Federal ouviu nesta segunda-feira (19) outras 11 pessoas que teriam sido imunizadas por Cláudia Mônica. Segundo a PF, a investigação deve ouvir cerca de 60 testemunhas.

Em nota, a Pfizer disse que a empresa “nega qualquer venda ou distribuição de sua vacina contra a covid-19 no Brasil fora do âmbito do Programa Nacional de Imunização”.

A Pfizer recentemente fechou acordo com o Ministério da Saúde, contemplando o fornecimento de 100 milhões de doses da vacina contra a covid-19 ao longo de 2021.

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