Três meses após início da campanha de vacinação, Brasil vacinou apenas terço do grupo prioritário

Ao todo, 25 milhões de brasileiros receberam pelo menos a primeira dose - o grupo de prioritários é estimado em 77,2 milhões de pessoas

Por: Sophia Bernardes | 18 abril - 09:23

Fazem três meses que o Brasil deu início a campanha de vacinação contra a Covid e segue distante de conseguir imunizar todos os grupos considerados prioritários. O país iniciou a imunização de, aproximadamente, uma em cada três pessoas do grupo, formado por idosos, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e da educação, profissionais de segurança, entre outros.

Ao todo, 25 milhões de brasileiros receberam pelo menos a primeira dose – o grupo de prioritários é estimado em 77,2 milhões de pessoas, segundo o Ministério da Saúde.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

De acordo com plano de imunização  do governo, no final do ano passado, buscava cumprir três fases de distribuição de doses para o grupo prioritário em cerca de quatro meses. A previsão era iniciar a imunização em fevereiro, com projeção de vacinar todo o grupo até o fim do primeiro semestre —e a população em geral, acima de 18 anos, nos 12 meses seguintes.

Na prática, a campanha de vacinação contra a Covid iniciou um mês mais cedo, mas demorará mais do que a para atingir todos os prioritários. A falta de doses, os atrasos no recebimento e a ampliação do grupo — com a inclusão de cerca de 27 milhões de pessoas.

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Ainda existe a possibilidade do grupo prioritário receber ao menos a primeira dose até o final do semestre com algumas pessoas precisando completar o esquema vacinal no mês seguinte.

Em contrapartida, países como Estados Unidos, Israel e Chile estão avançados na imunização da população em geral. As encomendas de imunizantes desses países foram realizadas em 2020, diferente do Brasil.

Situação atual

Nesta quinta-feira (15), o Ministério da Saúde anunciou que recebeu 53,9 milhões de doses de vacina, com cerca de 34 milhões aplicadas até agora e um pouco mais 8,5 milhões destas eram de segunda dose.

De acordo com os dados apontados, em uma visão otimista os grupos prioritários tomariam a primeira dose até junho e a segunda dose até setembro. Apesar disso, o governo federal constantemente tem frustrado a quantidade de doses previstas em seus cronogramas, como aconteceu nos dois últimos meses.

Para abril, o governo chegou a estimar que receberia cerca de 47,3 milhões de doses, na prática deverá ter 23,6 milhões. A princípio, receberão cerca de 100 milhões de doses entre maio e junho. Mas o cronograma do Ministério da Saúde, atualizado pela última vez em 19 de março, apresenta imunizantes que ainda não foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não conta com atrasos nas entregas de doses da Fiocruz e do Covax Facility.

Falta de doses e lentidão na campanha

Quando foi definido o plano de imunização, em dezembro, o Brasil só havia fechado acordo com Covishield tendo rejeitado anteriormente acordos pela CoronaVac e pela vacina da Pfizer. O ex-Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na época criticou a população, por sua ‘ansiedade’ de receber o imunizante.

O desabastecimento de doses para acelerar a imunização gera diversos contratempos para o atual Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Na última terça-feira (13), ele afirmou não ter “condição de estabelecer prazos” e que não sabe quando o país poderá vacinar 2,4 milhões de pessoas por dia, capacidade máxima de imunização no país. Em comparação, na última quinta, foram vacinados 930 mil brasileiros com primeiras e segundas doses.

Governo nega omissão

A lentidão da campanha de imunização é alvo de ações contra o governo federal no Supremo Tribunal Federal, apesar disso, a Presidência nega omissão na busca por imunizantes.

Em nota enviada ao Supremo, a Advocacia Geral da União, afirmou que o plano de vacinação teria “a estratégia mais eficaz de enfrentamento da pandemia, considerando a quantidade inicial limitada de vacinas para o atendimento da população brasileira”.

Pontua que, o governo “vem empreendendo os esforços possíveis para a disponibilização de imunizantes de forma célere e responsável”. Cerca de 370 mil pessoas já morreram em razão da covid-19 no Brasil, atualmente é considerado um problema mundial para o combate à pandemia.

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