SUS recebe remédios do ‘kit intubação’ em mandarim, e entidades pedem tradução para evitar riscos

Organizações criam força-tarefa com orientações; receio é de que profissionais possam se confundir e causar erros médicos

Por: Sophia Bernardes | 23 abril - 10:17

Com a escassez de medicamentos do chamado ‘kit intubação’, um grupo de empresários doaram 2,3 milhões de medicamentos do vindos da China ao Ministério da Saúde, no entanto os insumos vieram com bulas, rótulos e embalagens em mandarim, e entidades de saúde têm pedido a tradução para o português o mais breve possível.

Com a lotação das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) com pacientes de Covid-19, medicamentos como sedativos, neurobloqueadores musculares e analgésicos opioides estão em falta ou a beira de acabar.

Foto: Agência Brasil

Como os medicamentos estão sendo distribuídos aos hospitais, os profissionais que os manuseiam podem se confundir e colocar pacientes em risco.

Luis Antonio Diego, diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), afirma que a situação de superlotação das UTIs e a consequente sobrecarga de trabalho dos profissionais de saúde podem elevar os riscos de eventos adversos por erros de medicação.

Assim, quaisquer estratégias que contribuam para minimizar potenciais erros de prescrição, dispensação, preparo e administração devem ser estimuladas, diz.

“Os responsáveis por manusear os medicamentos podem se confundir [com as informações em mandarim]. O efeito adverso que isso pode causar no paciente é grave. O que estamos fazendo é ajudar para que isso não ocorra.”

Posicionamento das entidades

As entidades também enviaram um ofício ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), ao Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (Conasems) e ao Ministério da Saúde de como os rótulos deveriam ser colocados para garantir a segurança.

Em nota, o Conass afirmou que foi informado de que os medicamentos para intubação doados por empresas brasileiras chegaram ao país com a rotulagem em idioma estrangeiro. “Foram realizadas reuniões com entidades, que, de forma complementar ao trabalho já realizado pelo Ministério da Saúde, elaboraram documentos técnicos, que foram disseminados aos estados.”

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou que medicamentos doados podem vir em outro idioma. “Compete ao Ministério da Saúde atuar e fazer as discussões da instrução de uso.”

Já o Ministério da Saúde também foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação deste texto.

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