SP: mais de 60% das unidades municipais de saúde têm estoque zerado de “kit intubação”

Bloqueador neuromuscular acabou em 68% das unidades de saúde, enquanto os sedativos se esgotaram em 61% dos serviços de atendimento à Covid

Por: Maria de Toledo Leite | 15 abril - 19:33

De acordo com levantamento feito pelo Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP), o estado enfrenta uma situação crítica. Mais de 60% dos serviços municipais de saúde estão com estoques zerados dos medicamentos que compõem o chamado “kit intubação”.

O remédio usado para relaxar a musculatura, a caixa toráxica e ajudar o paciente a ficar com ventilação mecânica (o bloqueador neuromuscular) tem seu estoque zerado em 68% dos serviços municipais do estado, como Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) e os hospitais de campanha.

O estoque dos sedativos acabou em 61% dos serviços municipais, segundo o levantamento feito na última terça-feira (13).

Em relação aos bloqueadores neuromusculares, 78% dos estoques devem durar apenas para mais 7 dias, contados a partir de terça (13).

O Cosems/SP ainda afirmou que alguns dos medicamentos são usados para garantir atendimento emergencial aos pacientes em estado grave enquanto não podem ser transferidos para leitos de UTI em hospitais.

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No dia 6 de abril, o estado informou sobre o estoque dos medicamentos, alegando que ainda haveria insumos para mais 20 ou 25 dias.

“Kit Intubação”

O “kit intubação” é formado por medicamentos sedativos usados para controlar os movimentos e a dor dos pacientes em estado grave de Covid-19 e intubados. O ideal é que eles sejam administrados até o paciente acordar.

A falta desses remédios causa maior dor e sofrimento nos pacientes. Para evitar que os intubados arranquem os equipamentos, de aflição e angústia, alguns hospitais têm amarrado os pacientes aos seus leitos.

No Rio de Janeiro, por exemplo, médicos procuram por outras saídas, mas muitas vezes acabam amarrando os pacientes para evitar problemas. Profissionais da saúde contam que os intubados pedem para “não morrer.”

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