“Os hospitais não estão preparados para novos casos, não é o momento de abrir tudo”, segundo infectologista sobre fim da fase emergencial em SP

O médico infectologista Danilo Marques explicou detalhes sobre o fim da fase emergencial em SP, a atuação dos governos e a vacinação no Brasil

Por: Murilo Amaral Feijó | 13 abril - 17:51

Na última sexta-feira (9), o governo de São Paulo confirmou o fim da fase emergencial do Plano São Paulo contra o coronavírus, avançando para a fase vermelha a partir desta segunda-feira (12). Apesar do avanço, o vice-governador do estado, Rodrigo Garcia (DEM), afirmou que o Centro de Contingência do coronavírus e o governador João Doria (PSDB) decidiram incorporar medidas da fase emergencial no retorno da fase vermelha.

Em entrevista à Metropolitana, o médico infectologista Danilo Marques, que atua na linha de frente no combate à pandemia de covid-19 em São Paulo e na Baixada Santista, afirma que, no momento, “os hospitais ainda não estão preparados para a demanda de novos casos, que vai haver quando abrir o comércio”.

lojas fechadas em lockdown

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

De acordo com o médico, o fator de avanço para a fase vermelha, decretado pelo governo estadual, é a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por pacientes com covid-19. “Quanto menos ocupados estiverem os leitos de UTI, a gente vai conseguindo passar de fase, melhorar, progredir. Quanto mais ocupado, mais crítico, aí a fase vai ficar mais avançada e o comércio fechado”, explicou.

Marques destacou que, apesar da diminuição no número de internações, é perceptível um aumento exponencial no elevado número de óbitos por covid-19, não apenas em São Paulo, mas no Brasil. Para o infectologista, a queda na taxa de internações aponta que “essa fase emergencial teve um efeito favorável no número de casos”.

Segundo boletim divulgado pelo governo estadual ontem (12), 25.980 pacientes estão internados nos hospitais com covid-19, sendo 12.061 na UTI e 13.919 em enfermaria. A taxa de ocupação dos leitos de UTI disponíveis em SP está em 85,5%. No estado, já foram registradas mais de 83.100 mortes e 2.648.844 casos confirmados de covid-19, desde o início da pandemia.

Para a diminuição do número diário de óbitos causados pela doença, o médico afirma que é necessário um trabalho do governo estadual para conscientizar a população e fiscalizar se as medidas restritivas são respeitadas: “Essas duas coisas têm que andar juntas”. Segundo Marques, “se nós sobrecarregarmos um sistema de saúde já sobrecarregado, a gente pode entrar novamente em colapso”. Atualmente, o índice de isolamento social no estado é de 41%, segundo dados do governo.

VACINAÇÃO E LOCKDOWN

Sobre a vacinação no Brasil, o infectologista destacou a importância da atuação do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): “A vacinação ocorre graças ao esforço que o Instituto Butantan faz e a Fiocruz também, e muito pouco dos nossos governantes, principalmente do governo federal”. O médico defende que o ritmo da vacinação no país não é lenta, “mas ela ainda não é tão rápida como a gente precisa que seja”.

De acordo com Marques, a vacinação e o isolamento social são extremamente importantes para evitar a disseminação do vírus e, consequentemente, o surgimento de novas variantes. “Se a gente não vacinar, por exemplo, 90% da população e o vírus continuar replicando em grande quantidade, corremos o risco de aparecer uma nova variante que faça com que as vacinas fiquem ineficazes”, alertou.

Quanto ao lockdown no Brasil, o médico afirma que a medida funciona no combate à pandemia, mas, pela população não ter um amparo do Estado, pode causar um problema socioeconômico ainda maior: “Um cidadão desamparado, ele não vai querer saber se tem vírus, se ele tem risco de morrer, ele vai querer dar o sustento da sua família”.

“TRATAMENTO PRECOCE”

Utilizado em algumas cidades brasileiras e apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o “tratamento precoce” da covid-19 ou “kit covid” é o uso de medicamentos sem eficácia comprovada no tratamento contra o coronavírus. Marques afirma, durante a entrevista, que ninguém gostaria que esses tratamentos funcionassem mais do que ele. Segundo o médico, no começo da pandemia, “a gente podia até questionar [a eficácia dos remédios], mas isso é outra realidade que vivemos agora”.

O infectologista também faz um alerta: “Infelizmente, a gente ainda tem pacientes e médicos que acabam prescrevendo essas medicações. O paciente acaba tomando de forma indevida e, além de não fazer bem, essas medicações acabam fazendo mal”. Marques relatou que já atendeu pacientes que fizeram uso indevido de ivermectina, resultando em complicações no fígado.

Por fim, o médico conclui reafirmando a importância do isolamento social: “Eu sei que é difícil, eu sei que precisamos trabalhar, mas se puder, não se exponha desnecessariamente. Vamos fazer o máximo pra não colocar as pessoas que a gente ama em risco”.

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