O que sabemos sobre os casos de reinfecção da covid-19

Já foi comprovado que é possível contrair o vírus duas vezes e isso tem acontecido com mais frequência

Por: Marina Ponchio Gomes Ferreira | 17 abril - 16:29

A reinfecção por covid-19 é cercada por incógnitas, foi no dia 15 de abril de 2020 que o Brasil registrou o seu 5º caso, uma mulher contraiu a nova variante do coronavírus identificado na Amazônia.

Apesar de ser possível contrair a doença duas vezes, isso não parece acontecer com muita frequência. Um mega estudo publicado no Reino Unido, pela revista científica The Lancet afirmou que apenas 7,6 pessoas já contaminadas voltaram a testar positivo para covid-19 num grupo de 100 mil pessoas. O intervalo médio entre o primeiro e segundo contágio foi de 200 dias. A descoberta levou os pesquisadores a concluir que as pessoas que já testaram positivo para covid-19 têm risco 84% menor de voltar a se contaminar.  

Foto: Divulgação/Pixabay

Embora os resultados sejam animadores, as novas mutações do vírus alertam para o aumento do risco de infecções nos próximos meses e exigem mais estudos. Ou seja, talvez este cenário promissor se altere. 

Quantos casos de reinfecção aconteceram no mundo?

É difícil saber o número exato. O primeiro caso confirmado aconteceu em 25 de agosto de 2020, em Hong Kong, na China, foi um homem que se descobriu assintomático na segunda infecção. 

O site BNO News mantém uma contagem atualizada diariamente, com base nas informações disponibilizadas pelos países. No dia 29 de janeiro deste ano, haviam 39 casos confirmados e quase 10 mil em investigação. Hoje, 17 de abril, o site marcou 79 casos de reinfecção e registrou duas mortes.

No Brasil, o prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, foi diagnosticado pela segunda vez com  covid-19 no dia 15 de abril. Outras autoridades políticas também já sofreram com o segundo contágio da doença, como é o caso do presidente da Argentina, Alberto Fernández.

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Como ficam as novas mutações do vírus nesse cenário?

No momento, três variantes são consideradas “preocupantes”, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde): as detectadas primeiro na Inglaterra, África do Sul e Japão. Pelo perfil das mutações genéticas, os especialistas suspeitam de que as mesmas possam ser mais contagiosas.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou uma nota na quarta-feira (7) sobre o estudo das reinfecções por Covid-19, onde foi concluído que as mutações podem fazer a pessoa ter sintomas até mais fortes que o primeiro contato.

Esses estudos fazem sentido porque é comum que o vírus sofra mutações para driblar o sistema imunológico do ser humano, e isso gera reinfecções. É o que ocorre com o vírus da gripe Influenza, por exemplo, ela pode sofrer tantas alterações que exige vacinas novas todos os anos, e quem foi contaminado uma vez pode pegar a gripe outras vezes. 

Por que a reinfecção acontece?

Além das novas variantes, existem outras razões. Na maioria das pessoas infectadas mais de uma vez, os quadros da doença se apresentaram mais brandos ou até assintomáticos, isso indica que não houve uma resposta imune forte contra o vírus, o que deixa as pessoas mais suscetíveis a uma nova infecção.

Outra teoria é que a imunidade adquirida não seja muito duradoura. Nos estudos apresentados, o nível de anticorpos cai em poucos meses, isso é um indicativo de que ela diminui com o passar do tempo.  

É possível prevenir as reinfecções?

É possível. Mesmo após ter se curado da covid-19 é necessário manter todos os protocolos de distanciamento e uso de máscaras decretados a pandemia. Até porque, mesmo que o indivíduo tenha contraído o vírus e se curado, pode transmitir para outras pessoas. 

Principalmente no Brasil, onde o ritmo de vacinação é lento, de acordo com os dados do balanço da vacinação na sexta-feira (16), 25.777.943 brasileiros receberam a primeira dose do imunizante contra Covid-19, o que equivale a 12,17% da população do país.

A segunda aplicação de vacina ainda é mais lenta. Desde janeiro, 9.134.959 brasileiros tomaram as duas doses, o que representa 4,31% dos brasileiros. Além disso, dados apontam que há uma taxa de abstenção para receber a segunda dose do imunizante, o que pode oferecer riscos.

Ainda segundo um estudo do Statens Serum Institut, de Copenhague, na Dinamarca. A reinfecção atinge os mais vulneráveis, as pessoas acima de 65 anos. O dado que chamou atenção foi que os idosos com mais de 65 anos apresentam uma taxa de resistência ao vírus de 47%, enquanto os mais jovens apresentam o número de 80%.

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