“Não sou maquiador, sou médico”, diz ministro da saúde sobre mudanças no sistema de registro de óbitos por Covid-19

Novos campos obrigatórios foram inseridos na ficha de registro, mas Ministério da Saúde voltou atrás com relação a mudanças

Por: Maria de Toledo Leite | 24 março - 19:40

Marcelo Queiroga, o novo ministro da Saúde, disse nesta quarta-feira (24) que não foi quem determinou as mudanças no preenchimento das fichas que registram casos e mortes pelo coronavírus no Brasil, que comprometeu os dados e promoveu uma queda significativa nos números de óbitos registrados.

A decisão de incluir novos campos de obrigatórios nas fichas do Sivep-Gripe foi criticada por diversos secretários de saúde. Após pedidos de entidades, o Ministério da Saúde suspendeu as mudanças.

Queiroga cita distanciamento social como estratégia a curto prazo no combate ao coronavírus

Ministro da Saúde ao lado de boneco do "Zé Gotinha"

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em entrevista, o ministro da Saúde foi questionado sobre o impacto dos novos métodos de registro, já que o efeito foi imediato, diminuindo em mais de 700 o número de mortes de um dia para o outro em São Paulo.

Queiroga primeiro pediu para que as notas publicadas pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) fossem observadas e depois afirmou que iria analisar o que estava acontecendo. Queiroga falou em entrevista que não é maquiador, mas sim médico, “minha função não é maquiagem, é salvar vidas”.

O presidente do Conass se pronunciou depois da divulgação e disse que a decisão deveria ser revista “imediatamente”. Ele ainda afirmou que o não foi notificado sobre a mudança. O Conass pediu a revisão da norma, que acabou sendo acatada pelo Ministério da Saúde mais tarde.

Já o Conasems, disse que as mudanças foram discutidas antes, mas ocorreu uma falha na comunicação e, portanto,  pediu que esses novos campos obrigatórios fossem retirados.

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