Jovens com dupla cidadania tomam vacina no Uruguai

Com a perspectiva de ter de esperar meses para se imunizar, brasileiros que têm dupla cidadania decidiram se vacinar no país vizinho

Por: Sophia Bernardes | 05 abril - 12:42

Na última semana de março, Abdel Perez, de 18 anos, recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19. Ele mora em Santana do Livramento, no interior do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai, e foi ao país vizinho só para se imunizar.

Filho de uma uruguaia, Abdel é doble chapa, como são chamados na região os brasileiros descendentes de uruguaios que têm dupla cidadania.

Vacina contra a Covid 19

Foto: Agência Brasil

Brasileiros maiores de 18 anos que possuem dupla cidadania, assim como ele podem se vacinar contra a Covid no país vizinho, para isso não é necessário ser profissional de saúde ou fazer parte de algum outro grupo prioritário.

O jovem contou sobre a experiência para a BBC News Brasil, “Foi fascinante, uma surpresa muito boa. Não esperava ser vacinado tão rápido, porque estava aguardando no Brasil, onde demoraria muito, muito mesmo”.

Abdel contou que foi por meio de uma publicação no Instagram soube que já poderia ser vacinado, “Saiu no perfil da rede de saúde pública do Uruguai que estavam começando a vacinar (diferentes idades), peguei o número do WhatsApp na página, encaminhei meus dados e marquei”.

Os brasileiros que pretendem se vacinar no país vizinho, precisam se cadastrar e encaminhar ao Ministério da Saúde uruguaio um documento que comprova o vínculo com o país vizinho. Isso pode ser feito por meio do site da pasta ou em um número de WhatsApp criado para agendar as imunizações.

O processo de imunização no Brasil segue com lentidão, enquanto no Uruguai tem avançado rapidamente na imunização de seus habitantes. O país vizinho planeja vacinar cerca de 70% de seus quase 3,5 milhões de moradores até o fim do primeiro semestre deste ano.

Em Santana do Livramento, no interior do Rio Grande Sul com cerca de 76 milhões de habitantes muitos deles possuem dupla cidadania com o país, assim diversos moradores já foram vacinados no Uruguai.

Além disso, vários uruguaios que residem no Brasil foram ao país de origem para serem imunizados. Os brasileiros que trabalham no Uruguai também estão sendo vacinados lá.

A autoridades uruguaias consideram fundamental a vacinação na fronteira brasileira, em virtude do atual cenário da pandemia no Brasil, com sucessivos recordes de mortes e casos.

Vacinação no Uruguai

O Uruguai iniciou o processo de imunização contra a Covid em 1 de março, foi o último país da America Latina. As autoridades uruguaias anunciaram compraram vacinas suficientes para a população local, os imunizantes têm chegado aos poucos no país.

O país possui a Coronavac, da chinesa Sinovac tem sido aplicada em grande parte da população, e a Cominarty, das farmacêuticas Pfizer e BioNtech que está sendo aplicada em profissionais da saúde e idosos acima de 80 anos.

Logo o país deve receber doses da vacina de Oxford-AstraZeneca, através do consórcio internacional Covax Facility, iniciativa ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS) para distribuir imunizantes contra a Covid-19.

A primeira fase da campanha de vacinação, priorizou os profissionais da saúde, policiais militares, professores e bombeiros, depois os cidadãos com mais de 80 anos, idosos que vivem em abrigos e presos. Outro grupo considerado prioridade foram as pessoas entre 50 e 70 anos. Na época, teve início a vacinação para os brasileiros com dupla cidadania que estavam nessa mesma faixa etária.

Após os grupos prioritários, país deu início à vacinação da população em geral, acima de 18 anos, incluindo as pessoas com dupla cidadania da mesma faixa etária.

As autoridades adiantaram a imunização para toda a população, em razão do atual cenário da pandemia no Uruguai, o pior desde os primeiros registros de covid-19 no país.

Uruguai é considerado um exemplo positivo em meio à pandemia, no momento enfrenta sérias dificuldades, recentemente o país ultrapassou a marca de 100 mil casos de covid-19 e 1 mil mortes pela doença durante toda a pandemia.

Mesmo mantendo uma das menores taxas de mortalidade pela covid-19 na América Latina – aproximadamente 1% – os índices atuais indicam uma situação preocupante no país. Nas últimas semanas, o Uruguai tem registrado constantes recordes diários de novos casos e mortes pela covid-19.

O sistema de saúde local enfrenta o maior nível de ocupação desde o início da pandemia.

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