Governador do Ceará afirma que seguirá lutando pela autorização da Sputnik V

Governadores do nordeste ficaram surpresos e alguns deles viram com desconfiança as afirmações contundentes da Anvisa contra a vacina Sputnik V

Por: Sophia Bernardes | 27 abril - 11:46

Após a diretoria da agência negar nesta segunda-feira  (26), por unanimidade, os pedidos de aval à importação excepcional do imunizante. Entre outros pontos, afirmou que há falhas de desenvolvimento que resultam em incertezas quanto à qualidade, segurança e eficácia do produto. (Entenda a decisão da Anvisa)

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), declarou que seguirá lutando pela autorização da importação da vacina Sputnik V no Brasil. Ele afirmou, por meio das redes sociais, que o Comitê Científico do Nordeste se posicionou favorável ao uso do imunizante da Rússia.

Governador também citou a lentidão do governo federal no repasse de vacinas aos estados e afirmou que qualquer tipo de politização no processo de aprovação do imunizante é “absolutamente inaceitável”.

Outros governadores do nordeste também não ficaram satisfeitos e alguns deles apontaram desconfiança as afirmações contundentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contra a vacina Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia.

O governador do Piauí, Wellington Dias, presidente do Consórcio Nordeste – que reúne governadores da região e firmou contrato para a importação de 37 milhões de doses da Sputnik V – afirmou que, “A Anvisa está dizendo que a vacina inteira não presta, que ela é perigosa e que representa um risco para o ser humano”.

“A vacina é feita pelo maior e mais antigo centro de pesquisa do planeta, o Instituto Gamaleya. Foi aprovada pelas agências de 16 países, entre eles a Rússia, a Argentina e o México. Está sendo aplicada em mais de 60 países e a OMS deve incorporá-la ao consórcio mundial de vacinas. Mas a Anvisa diz que ela é extremamente arriscada. Alguém está mentindo”, segue Wellington Dias.

“O Brasil precisa alertar o planeta. O governo brasileiro tem que fazer comunicado aos outros países e à OMS sobre o risco que a Sputnik V representa para a humanidade, segundo a Anvisa”, segue ele. “A agência não é um centro de ciência e pesquisa. Mas apontou impurezas, falhas em regras de higiene e disse que não há monitoramento para comprovar a eficácia e a segurança da vacina. É grave”, completou Dias.

Governador ainda afirmou que o Consórcio Nordeste já enviou o voto da Anvisa ao fundo soberano que financiou o desenvolvimento da Sputnik V. Ele viajou a Brasília e deve se reunir virtualmente com os russos e com a própria agência.

Outro governador da Região Nordeste, Flávio Dino, do Maranhão, se manifestou sobre a decisão e mostrou cautela. Ele afirmou que vai avaliar aspectos técnicos e depois deve apresentá-los ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Anvisa.


A Agência, ai analisar concluiu que a Sputnik V pode ser prejudicial à saúde humana em razão de usar um tipo de vírus que naturalmente se replica.

“Isso significa que o vírus que deve ser utilizado apenas para carregar material genético do coronavírus para as células humanas e, assim, promover a resposta imune, ele mesmo se replica, e isso é uma não conformidade grave”, disse Gustavo Mendes, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa.

De acordo com a Anvisa, 14 estados brasileiros e duas prefeituras enviaram pedidos de importação da vacina russa, principalmente no Nordeste. Até o momento, a Sputnik V foi aprovada por agências reguladoras de 17 países diferentes.

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