Ex-presidente da Anvisa critica projeto para que empresas comprem vacinas

Gonzalo explica que a vacinação não deve ser tratada como um ato individual, mas sim coletivo

Por: Sophia Bernardes | 07 abril - 11:56

Ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Gonzalo Vecina Neto, fez uma critica a Câmara dos Deputados, que aprovou um projeto de lei que permite que as empresas comprem vacinas contra a Covid-19 para seus próprios funcionários.

Gonzalo explica que a vacinação não deve ser tratada como um ato individual, mas sim coletivo. Á vista disso, é importante organizá-la para que ocorra em massa, gratuitamente, com a melhor estratégia possível feita pelo Programa Nacional de Imunização (PNI). Caso as empresas vacinem seus funcionários, esse planejamento do Ministério da Saúde não será cumprido.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Dessa forma, Gonzalo recomenda que o governo federal compre mais vacinas para garantir a imunização coletiva da sociedade brasileira.

Em entrevista para a CNN, o ex presidente explicou, “Acho imoral, através de ter dinheiro, conseguir ter vacina. Acho que o esforço que o país tinha que fazer era garantir imunizante para os grupos prioritários o mais rápido possível”.

Outro problema apontado por Gonzalo, é que a qualidade das vacinas compradas pelas empresas deve ser pior. “As grandes farmacêuticas multinacionais, que são as principais, não vão vender para a iniciativa privada”.

Caso esse projeto de lei siga em diante, o risco da pandemia continuar descontrolada no Brasil só aumenta.

“Ou nós conseguimos vacinar a população brasileira ou o vírus continuará circulando. Temos que garantir para toda a população e particularmente para os grupos mais vulneráveis. Se não, não conseguiremos paralisar a doença, como agora em abril, que enfrentaremos o pior mês da pandemia”, estimou Vecina Neto.

O texto-base do projeto de lei foi aprovado ontem, mas a votação seguirá hoje. Ainda falta avaliar destaques, que podem alterar o teor do projeto.

Posição da OMS

A Vice-Diretora Geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Mariângela Simão, concorda com Gonzalo Vecina e afirma que a compra de vacinas pela iniciativa privada aumentará a dificuldade de acesso às vacinas.

Em entrevista para a CNN, Mariângela explicou, “O posicionamento da OMS tem sido a favor das medidas governamentais e do fornecimento de vacinas de forma equitativa por meio das iniciativas públicas, sejam elas internacionais ou nacionais. Nós não podemos criar mais um degrau no acesso à vacina”.

Posição do Centro de Contingência da Covid-19

João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência da covid-19 em São Paulo, também foi de acordo com Gonzalo Vecina. Ele acredita que seja injusto que uma parte da população receba prioridade na vacinação por ter mais recursos. Mas explica que dificilmente os laboratórios vão vender imunizantes para a iniciativa privada neste momento.

Em entrevista para a CNN, Gabbardo afirma “Depois que terminarmos a vacinação com a população prioritária, a partir daí acho que é possível que tenhamos uma ampliação da vacinação para toda a população e, no caso, as empresas então poderão disponibilizar as vacinas para seus funcionários. Mas isso só depois de toda a população prioritária estar já vacinada”.

Gabbardo destaca que o governo de São Paulo pretende comprar mais vacinas além daquelas que já foram vendidas ao Ministério da Saúde, no entanto isso só acontecerá depois que toda população prioritária for vacinada no país.

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Mortalidade de pacientes de Covid-19 com até 45 anos sobe 193%, aponta pesquisa

Instituto Butantan entrega mais 1 milhão de vacinas à Saúde; total passa dos 38 milhões

Confira os últimos acontecimentos no Estado de São Paulo:

Deixe seu comentário

BOMBOU!

Recomendadas para você