Estudo faz ligação entre crise respiratória da covid e problemas neurológicos

Pesquisa realizada em Barcelona revela que mais de 57,3% sofrem com distúrbios de atenção até seis meses depois de se curar da doença

Por: Marina Ponchio Gomes Ferreira | 21 abril - 15:14

De acordo com um estudo feito pela Fundação de Investigação de Hospitais HM, publicado na revista ‘Journal of Behavioral and Brain Science’, as pessoas diagnosticadas com covid-19, que tiveram seus sistemas respiratórios muito afetados, apresentam, depois de curadas, mais problemas neurológicos.

O estudo analisou 250 pacientes com contaminados com o vírus no hospital HM Delfos em Barcelona, na Espanha, e no Consórcio Sanitário de Terrassa Consortium e mostrou que 61,4% deles sofreram alteração neurológica durante a fase mais complicada da doença, além de uma prolongação desses distúrbios por pelo menos seis meses após receber alta. 

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O trabalho foi liderado pelo neurologista Gabriel Salazar e confirmou que a maioria dos pacientes consegue se recuperar seis meses após a infecção, por isso o sistema nervoso central não seria afetado diretamente.

“A maioria dos pacientes que ainda apresentam manifestações clínicas na revisão neurológica no meio do ano, decorrentes da infecção, são aqueles que foram internados em UTIs com menos de 90% de saturação de oxigênio ou com alterações nos parâmetros dos gases arteriais”, explicou Salazar. 

Das complicações, as mais comuns são distúrbios de atenção (57,3%), como dificuldade de prestar atenção em instruções, problemas no comportamento ou na interação social e dificuldade em acompanhar as atribuições do dia a dia. Ausência de paladar e olfato (45,3%), enxaqueca (34,6%) e síndromes pós-dramáticas podem durar mais – crises de ansiedade, medo, e depressão – são outras complicações detectadas no estudo. 

Entretanto, na maioria dos casos, esses distúrbios desaparecem depois de seis mesmo, por isso “todos os resultados indicam que a covid não afetaria o sistema nervoso central ou periférico”, segundo o médico. 

O neurologista disse ainda que é necessário continuar estudando a doença “para aprender mais e melhor sobre a covid, por exemplo, em estudos patológicos de pacientes infectados ou em biomarcadores mais sensíveis e específicos da PCR no líquido ceforraquidiano”.

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