Estudo aponta, que teste de Covid-19 por saliva é eficaz em crianças

Técnica menos invasiva aponta sensibilidade para a Covid semelhante ao exame tradicional

Por: Sophia Bernardes | 21 abril - 08:31

Pesquisadores  do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP), realizaram um estudo com testes através da saliva, e apresentaram eficácia no diagnóstico da Covid-19 em crianças sintomáticas e assintomáticas quanto o teste molecular por RT-PCR utilizando swabs (uma haste semelhante a um cotonete), o teste padrão  na detecção da Covid, ambos apresentam uma sensibilidade de até 90% à presença do vírus.

Coletaram amostras de saliva em 50 crianças com algum sintoma relacionado à Covid-19, atendidas em serviços público na cidade de Araraquara (São Paulo). Os voluntários, com idade média de 10 anos, também colheram amostras de secreção respiratória por swab, com o intuito de comparar a eficácia de ambos os testes.

Foto: Governo do Estado de São Paulo

O coordenador da pesquisa, Paulo Henrique Braz-Silva, professor da Faculdade de Odontologia da USP e pesquisador do IMT-USP explica que, “Ao todo, 10 crianças tiveram o diagnóstico positivo para a Covid-19. As amostras por swab e por saliva detectaram oito positivos cada uma, mostrando uma performance igual entre as amostras”.

Exame menos invasivo

A análise molecular da saliva utiliza a mesma técnica do teste por RT-PCR com swab, o que os diferencia são o método e o agente biológico extraído de cada uma.

No teste mais usual, o swab é introduzido pelas narinas até o fundo da garganta para alcançar as secreções respiratórias que contém o vírus SARS-Cov-2. Já no teste através da saliva, são coletados ao menos 2 ml de cuspe em um pote estéril, que serão analisadas em laboratório.

A amostra resiste até 24 horas em um pote lacrado e conservado na geladeira, no entanto o recomendado é que ela seja colhida pela manhã e encaminhada no mesmo dia ao laboratório para ser analisada, explica o coordenador da pesquisa.

“A análise por saliva dispensa a necessidade de um profissional de saúde para fazer a coleta, evitando assim o risco da exposição ao material biológico e uma possível infecção pelo coronavírus”, afirmou Paulo Henrique.

O teste através da saliva não causa desconforto por ser bem menos invasivo que o teste por swab, o que pode facilitar a testagem em massa em crianças e adultos.

No Brasil, essa testagem é comum desde a década de 80 para detectar outras doenças infectocontagiosas como dengue e zika, em crianças e adultos.

O propósito dos pesquisadores é ampliar a amostragem do estudo para atestar a viabilidade da testagem de crianças em massa. Nos adultos, já há vários estudos que comprovam que a análise de saliva é tão eficaz quanto a análise por swab para o diagnóstico da Covid-19, mas não há os mesmos dados no caso de crianças.

Testes semanais em escolas

Na sede de São Paulo, da escola americana Avenues, disponibiliza testes rápidos de saliva para funcionários, alunos e professores semanalmente, como forma de rastrear a possível circulação do vírus em suas dependências.

A testagem semanal faz parte da estratégia de mitigação de riscos que o colégio faz também em suas unidades nos Estados Unidos, e na China. Todas as quintas-feiras os testes são realizados e lacrados em envelopes com os tubos contendo as amostras, os resultados são informados em até 24 horas.

De acordo com o diretor da sede em São Paulo, Paulo Szyszko Pita, foram realizados cerca de 14 mil testes na escola, desde outubro do ano passado, quando começou um projeto piloto de testagem em massa por exame de saliva, que durou até dezembro.

Em janeiro, o colégio retornou as aulas com os testes semanais, e desde então contabiliza menos de 1% de casos positivos para Covid-19 entre seus os frequentadores, a maioria assintomáticos.

“Quando recebemos um positivo, temos que identificar sem expor ninguém, rastrear os contatos que a pessoa teve na escola, pedir o isolamento dessas pessoas e seguir todas as orientações de quarentena”, afirmou Pita.

Além dos testes, a instituição mantém as medidas de restrição, obrigatoriedade do uso de máscaras nas suas dependências e impede o contato de alunos de turmas diferentes.

“Percebemos que este controle tem contribuído bastante para a sensação de segurança na escola e entre a população em geral, por isso optamos pelo método”, afirmou o diretor da Avenues.

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